quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A crise das grandes cidades brasileiras – mudanças climáticas & ciclos sociais


O Brasil começa a conhecer um reflexo especial das mudanças climáticas, através as crises-de-abastecimento para as suas grandes cidades em especial. Uma crise que poderia ter sido atenuado se houvesse racionalização do consumo e distribuição demográfica condizente com a extensão territorial do país, como a sua evolução natural tende a sugerir.
secas nas represas de São Paulo
Você conhece o Calendário Social Brasileiro? Abaixo temos a sua base geográfica. Os ciclos sociais de 200 anos são mais conhecidos pelas transformações culturais que acarretam na Europa, porém no Brasil eles também acontecem onde inclusive se traduzem pelo translado das Capitais Federais para uma nova região a ser desenvolvida, permitindo através disto ecoar uma nova ideologia social e econômica. O resultado é uma certa cultura-de-paz, própria das sociedades em construção.


De uma forma sui generis, o nosso país vem se organizando de certa maneira harmônica e avançando de forma regular, pese suas complexidades, cruezas e entraves ocasionais, como ocorreu na Ditadura Militar de 1964-85, quando a Ditadura represou no Sudeste (como já era uma tendência nacional na Primeira República) este fluxo natural e sua dinâmica social, atrofiando o Sudeste e concentrando poder na burguesia, para deixar à míngua o avanço social e as ideologias mais nacionais ou sociais que se voltavam já para o Centro-Oeste. Disto resulta a crise que começa a acontecer nas grandes cidades sudestinas sob as mudanças climáticas em curso, sem poupá-las de convulsões sociais, razão pela qual se começa sem alarde a cercar (literalmente) e a controlar as favelas com policiamento ostensivo

Embora existam várias cidades grandes no Brasil, porém as únicas megalópoles se encontram no Sudeste mesmo (como São Paulo e Rio de Janeiro), refletindo nitidamente uma concentração de poder e de riqueza artificial, mais que um real aumento demográfico natural como ocorreu no Nordeste por exemplo, porém sem este mesmo inchaço. Mesmo assim é nítida a diferença numérica, como se vê abaixo na listagem das seis maiores cidades do país.

1. São Paulo - 11.895.893 hab.
2. Rio de Janeiro - 6.453.682 hab
3. Salvador - 2.902.927 hab
4. Brasília - 2.852.372 hab
5. Fortaleza - 2.571.896 hab
6. Belo Horizonte - 2.491.109 hab

Brasília tem crescido muito, reflexo dos fortes “incentivos” econômicos que a cidade sempre recebeu, de início para estimular a formação do novo centro e depois como suborno e corrupção oficializados. Mas também por ser um polo natural de crescimento econômico do país como um todo, e mais especialmente da própria Região centro-Oeste com seus grandes e ricos estados produtores de agropecuária. 


Não se trata contudo de um crescimento saudável, mas de padrão concentrador capitalista, comprometendo os planejamentos de seu plano urbanístico e rodoviário original. Desde o começo Brasília foi uma cidade elitista, e certamente isto apenas se agravou, ostentando hoje seus arredores algumas das zonas de maior violência do país, começando a abalar esta aparente ilha-de-paz que é a Capital Federal. De todo modo, o Centro-Oeste luta para se recuperar e vem se tornando o grande polo social do pais, oferecendo a maior fonte de empregos e de serviços sob surgimento de novas cidades.
deslizamentos no Rio de Janeiro
O êxodo urbano e a desconstrução das monstrópolis brasileras é algo inevitável, como foi inevitável a destruição dos dinossauros a certa atura das coisas. Com as mudanças climáticas, a fragilidade a qual as cidades do Sudeste estão sujeitas se estende também ao ambiente rural superpovoado, tornando ainda mais frágil uma geologia já instável pela conformação natural do solo argiloso e úmido. O grande oposto disto é o Centro-Oeste, bastante mais pedregoso e um dos solos mais antigos do planeta.

Assim, na medida em que avançam os anos, se cumprem os anúncios sobre as mudanças ambientas. As águas que subirão não serão apenas a dos oceanos. Serão também as “águas” humanas que ascenderão novamente para os interiores do país como é o seu destino. Cabe porém que tal coisa se faça de maneira ordenada, sustentável e sempre com o novo sentido social que a isto toca.

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