domingo, 30 de maio de 2010

Êxodo urbano: uma tendência mundial



................................ acima: semear ou mendigar?

Neste Capítulo, trataremos de transmitir e comentar algumas situações noticiadas sobre o êxodo urbano no mundo moderno.

Na Europa (Portugal, Espanha, etc.)

“Desde os finais da década de 1990 que o custo e a qualidade de vida nas grandes cidades têm exercido uma forte influência de deslocalização da população dessas cidades para zonas do interior e/ou rurais. A par destas contrariedades, a extensão da banda larga por todo o território tem permitido a profissionais independentes e a teletrabalhadores esta deslocalização para as regiões de ‘baixa densidade’.

“A cidade européia que mais população perdeu foi Lisboa, conforme dados da Comissão Européia: nos últimos dez anos (1995–2005), Lisboa perdeu 20% da população.

“Ainda em Portugal, a segunda maior cidade, o Porto, perdeu no mesmo período 23% da população estando em 2006 com 270 mil habitantes. A mesma demografia de outras trinta e quatro cidades da Península Ibérica.”*

A questão econômica tem sido um dos fortes impulsionadores do êxodo urbano no Primeiro Mundo. O quadro se acentua nas economias mais frágeis como é a portuguesa, que sempre necessitou de auxílio da Comunidade Européia para se formar no grupo.

No Brasil

Agora poderemos observar, neste comentário de matéria do New York Times, apresentada por Vinicius Albuquerque no blog da Folha Online,** intitulado “Desemprego provoca êxodo urbano no Brasil, diz NY Times”, os muitos motivos que pode chegar a ter o êxodo urbano no Brasil.

“O desemprego nos grandes centros urbanos brasileiros e o crescimento da agricultura e dos investimentos industriais em cidades do interior inverteu os fluxos migratórios no Brasil, diz a edição de hoje do jornal norte-americano ‘The New York Times’.

“Ao mesmo tempo, os moradores de zonas rurais sentem-se menos inclinados a deixar as suas famílias e migrar para grandes cidades.”

Remonta à década de noventa, as notícias sobre a migração da empresas para os interiores dos Estados, como forma de baixar salários e desacelerar o impacto ambiental. O mesmo se pode dizer das pessoas, com a crescente tendência de habitar na periferia (sobretudo em luxuosos condomínios fechados) ou nas cidades periféricas dos grandes centros (no caso das pessoas mais simples, sobretudo), a fim de evitar o convívio direto com os problemas ali concentrados. As pessoas do interior, por sua vez, sentem-se menos atraídas pelas cidades grandes porque elas estão inchadas. Prossigamos:

“O secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Remígio Todeschini, disse, segundo o ‘NYT’, que‘não há dúvida’ sobre o atual dinamismo do interior do país. ‘Isso tende a determinar onde as pessoas vão procurar empregos.’

“O ‘NYT’ cita pesquisa do Ministério do Trabalho, que mostra que 70% dos novos empregos gerados no Brasil nos primeiros sete meses do ano estavam em cidades de porte médio e apenas 30% dessas foram criados em grandes centros urbanos.

A estatística apresentada é contundente, considerando que o “interior” já é capaz de duplicar o número de novos empregos, coisa que deve se estender às cidades menores com o tempo.

“Já em São Paulo, o fluxo migratório caiu. O diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, disse, segundo o ‘NYT’, que ‘a capacidade de criar empregos [em São Paulo] simplesmente não é mais aquela presenciada no passado, e a população está percebendo isso’. ‘Rio e São Paulo costumavam concentrar quase toda a capacidade industrial do país, mas essa época passou’, disse Ganz Lúcio ao NYT. ‘Atualmente o desenvolvimento econômico está se espalhando para o resto do país.’

Podemos dizer que, em boa parte, tudo nisto se deve à criação de Brasília, na hora certa, levando o país a uma maior distribuição demográfica, uma vez que os nordestinos que iam em massa para São Paulo, passaram a se dirigir também para o Distrito Federal.

Com isto, se pode até anunciar uma definitiva mudança da situação de êxodo rural criado a partir dos anos 50 com o processo de industrialização do país, e até certa mudança de direção das coisas:

“De 1987 para cá, o êxodo rural praticamente acabou, uma vez que as cidades não mais oferecem uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, o que está em curso no Brasil hoje é um ‘êxodo urbano’, também identificado pelas pesquisas, com o homem das cidades fugindo em direção ao meio rural para escapulir à poluição, à violência e ao estresse dos grandes conglomerados urbanos. Em São Paulo, por exemplo, o fato é facilmente constatável: são os ‘neo-rurais’, pessoas da cidade em busca de melhor qualidade de vida nas zonas rurais. Aliados à mecanização do trabalho agrícola, esses dois movimentos populacionais conduzem ao crescimento das ocupações não-agrícolas no meio rural sem que, todavia, haja uma política de formação de mão-de-obra nas regiões atingidas. São novos modelos ocupacionais - caseiro, jardineiro, trabalho doméstico e serviços - que surgem para atender ao movimento de êxodo urbano.

Tudo isto demonstra o esgotamento de um modelo econômico, mas o retorno também leva um novo perfil, de adaptação das coisas, e não um propósito produtivo ou mais especificamente cultural.

De todo modo, a data citada é significativa para nós. Em 1987 ocorreu a “Convergência Harmônica”, um grande rito-planetário-de-passagem que tratou de harmonizar as energias terrenas, abrindo caminho para o ingresso de novas espirituais já no ano seguinte, nos importantes acontecimentos que deram abertura à Nova Era, através da “manifestação da Hierarquia de Luz”.

A verdade por detrás dos números

Sob o título “O Brasil rural que não está no mapa”, o blog JBonline*** anuncia que o uso de uma “metodologia do tempo do Estado Novo atrapalha políticas públicas efetivas e não detecta fenômenos como o êxodo urbano.”

Na sequência comentamos trechos da matéria assinada por César Baima:

“O campo está mais cheio de gente do que as estatísticas oficiais levam a crer. A utilização de uma metodologia da época do Estado Novo para a separação dos espaços rural e urbano no Brasil faz com que a população calculada para as zonas rurais seja bem inferior à real. Tal fato atrapalha a definição das políticas do governo para o campo, como a reforma agrária, já que, pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população rural brasileira estará praticamente ‘extinta’ por volta de 2030.”

Assim, a metodologia empregada, leva a minimizar a importância do campo, e a negligenciara necessidade de políticas adequadas, como cita a seguir.

“‘A importância relativa da sociedade rural já é tão pequena que torna pouco relevante qualquer política voltada para sua dinamização, além de dispensar a definição de alguma estratégia específica. Seria como gastar vela com mau defunto’, reclama Sérgio Paganini Martins, secretário-adjunto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável.”

Pelo método em voga, que praticamente não é mais usado no mundo todo, a desproporção é gritante e oculta a pujante vida rural brasileira, assim, como a tendência de êxodo urbano e litorâneo.

“O Censo 2000 do IBGE aponta que 81% dos brasileiros vivem em zonas urbanas, contra 19% em áreas rurais. Caso fossem usados os parâmetros adotados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que estipula um mínimo de 150 habitantes por quilômetro quadrado para a caracterização de zonas urbanas, essa proporção cairia para 57% dos brasileiros morando em cidades e 43% no campo - uma ‘migração’ de mais de 40 milhões de pessoas.

“O IBGE, no entanto, está apenas cumprindo a lei. No caso, um Decreto-Lei assinado em 1938 pelo então presidente Getúlio Vargas que transformou em cidades todas as sedes municipais existentes, independentemente de suas características, fazendo com que pequenos povoados e vilas virassem zonas urbanas da noite para o dia. No mundo inteiro, apenas Equador, El Salvador, Guatemala e República Dominicana ainda usam critérios semelhantes. Ainda pelos parâmetros usados pela OCDE, apenas 411 dos 5.507 municípios brasileiros seriam considerados urbanos.”

Ou seja: menos de 10% dos municípios brasileiros, se qualificam para seguir sendo classificados como “urbanos” pela metodologia hoje em voga no mundo. É um fato a considerar, que muitas pequenas cidades e municípios brasileiros, possuem uma base econômica agrária, muitas vezes até mesmo voltada para a agricultura-de-subsistência. Prossigamos:

“Segundo Paganini, a falha das estatísticas também impede a constatação de outros fenômenos, como o fim do êxodo rural. ‘Nos últimos 15 anos, praticamente acabou o êxodo rural, já que as cidades não dão mais uma melhor qualidade de vida do que o campo’, diz. Dessa forma, continua, o que está em curso no Brasil é um ‘êxodo urbano’, também não identificado pelas pesquisas, com a população das cidades fugindo em direção ao meio rural para escapar da violência, poluição e estresse dos grandes aglomerados urbanos. ‘Em São Paulo, isso já é facilmente observável. São os neo-rurais, pessoas da cidade em busca de melhor qualidade no campo’, revela.”

Temos aqui uma constatação importante, pois, e segundo o antes citado, mais exatamente de “1987 para cá, o êxodo rural praticamente acabou”. Uma importante mudança está em curso.

Assim, esta informação deve alterar substancialmente as preocupações com o equilíbrio demográfico campo-cidade no Brasil, tão importante para a Democracia. Contudo, vemos que o assunto depende de metodologias em uso, que sempre podem ser questionadas. E ao fim e ao cabo, mesmo trazendo algum alento, todo este novo fato ainda não nos conforta de todo, porque aquilo que realmente se espera é vida rural abundante, com gente trabalhando a terra, e não apenas pequenos municípios que passam a ser considerados “rurais”, dentro de um critério tão relativo como qualquer outro.

Para o PROJETO-EXODUS - UM MUNDO PARA TODOS, a metodologia do Estado Novo, que foi um regime nacionalista que valorizava o trabalhador, ainda merece ser tida, da mesma forma, seriamente em conta.


* Fonte: http://pt.wikipedia .org/wiki/ %C3%8Axodo_ urbano
** Fonte: http://www.diariopo pular.com. br/08_12_ 02/artigo. HTML
*** http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/economia/2002/03/16/joreco20020316002.html

A maior parte das matérias reproduzidas aqui, juntamente com as imagens, são do blog
http://assuncaoturma221.blogspot.com/2009/06/exodo-urbano.html

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