quarta-feira, 25 de março de 2015

Anti-colonialismo versus luta-de-classes - qual via social leva ao progresso ou à estagnação?



Duas formas de atuação política e social –o anti-colonialismo e a luta-de-classes- marcaram as visões socialistas do século XX, sendo uma mais forte na Eurásia (luta-de-classes ou marxismo) e outra mais forte na América Latina (anti-colonialismo ou nacionalismo).
Quer parecer às vezes que estas lutas se confundem, porém essencialmente elas divergem entre si, inclusive no próprio campo-de-batalha, como demonstraram as últimas grandes guerras e sobretudo a Guerra Fria, cuja maior vítima foi o nacionalismo em toda parte.
Tarsila do Amaral, "Abapuru"
O marxismo e o nacionalismo divergem como visões-de-mundo, pois aquele é economicista-materialista e este é cultural-holístico. Existem também dinâmicas sociais e econômicas muito distintas em ambos.
A luta-de-classes representa atuar com um capital passivo, buscando dividir melhor o pouco que resta da exploração internacional num país. Mesmo considerando que as classes abastadas dividirão a contragosto os recursos adquiridos da exploração sócio-ambiental com as classes mais humildes, isto ainda limita enormemente os recursos que são continuamente drenados para o exterior.
A visão do conflito social é definitivamente muito rala diante da visão da defesa dos recursos da nação. A ideologia de luta-de-classes pode até ser cômoda em sociedades capitalistas antigas, bem defendidas e bem estruturadas, porém nas novas sociedades servem apenas para debilitar a sociedade ante o colonialismo, no caso, capitalista. Povo dividido não enxerga o mal que vem de fora e nem tem força para combatê-lo.

O marxismo não almeja conter o colonialismo econômico do capitalismo (ver apologias da exploração internacional no “Manifesto Comunista”), pois o marxismo está tão focado nos benefícios da classe proletária quanto o capitalismo está focado nos benefícios da burguesia. A rigor, o marxismo tampouco se escusa da exploração colonialista. Ambos rejeitam –em tese- o apólogo nacionalista, porém na prática tal coisa funciona bem como o liberalismo, qual discurso-de-exportação e propaganda ideológica para exploração internacional, onde os cartéis poderosos possam dominar as economias do mundo. O nacionalismo tácito e o próprio racismo sempre permaneceram forte nos grandes polos capitalistas e comunistas, não sendo rara sequer a escravidão (vide México e China).
O marxismo é assim um sócio mal-disfarçado do capitalismo, como uma antítese filosófica que depende inteiramente da tese original. O neo-marxismo é, da mesma forma, um sócio ativo do neo-colonialismo capitalista, para o qual escancara as portas das nações em troca da exploração desmedida de riquezas visando obter lucro fácil com commodities (matéria-prima), além de praticar o arrocho fiscal sobre a classe média (a qual costuma confundir com “burguesia”!).
Ademais, ao apropriar-se dos meios capitalistas de produção, o marxista poda o fluxo das iniciativas capitalistas que Marx tanto exaltou, então necessita correr atrás (espionagem industrial e militar, etc.) e cada vez mais se igualar ao próprio capitalismo.
O neo-marxismo (radicalização da social-democracia) alcança a proeza de desestimular tanto os empresários através dos impostos e da alta dos salários, quanto os trabalhadores através do assistencialismo, paralisando assim a economia e estimulando a inflação. Consegue assim transformar a própria classe trabalhadora em novos parasitas da nação, a par com os capitalistas exploradores “de sempre”.
Ora, se mesmo quando os trabalhadores alcançam se apropriar dos meios-de-produção as coisas já são bastante complexas e desafiadoras, que dizer quando o marxismo abdica desta “revolução permanente” para se reduzir ao assistencialismo? Tal coisa é patética e não serve para nada mais que a tentativa de perpetuar um projeto-de-poder, como acontece hoje no Brasil do PT.
Logo ao chegar ao poder, Lula acenou com esta renúncia à soberania nacional pela desistência de realizar a auditoria da dívida externa propugnada historicamente pelo seu próprio partido. Resolveu pedir aos banqueiros internos que a pagassem, a fim de transformar a dívida externa em dívida pública ou interna, o que lhe assegurou um lugar à mesa no festim internacional e a possibilidade de transformar a crise internacional em crise social, bem ao estilo (neo) marxista. Provavelmente este procedimento ainda merecerá alguma auditoria ou investigação, agora que se descobre o tamanho da corrupção protagonizada pelos governos do PT.
Em suma, o marxismo não favorece o trabalho e nem progresso e o aumento da riqueza, apenas empobrece os ricos para diminuir temporariamente a miséria dos pobres, a um alto custo para o meio-ambiente e as gerações futuras, desestimulando a produção da riqueza e da cultura. O marxismo existe apenas para contrastar a falácia capitalista, que tenta propor uma via de progresso através do crescimento da produção, onde a riqueza resultante se destina na prática apenas às elites.
O nacionalismo por sua vez, trata de estancar a sangria econômica (que ademais apenas fortalece o opressor) no país, permitindo o crescimento equânime e igualitário da sociedade. A proteção nacionalista assegura a contenção da riqueza permitindo haver recursos para a distribuição de bens para todos dentro da nação, afastando o fantasma bastardo da luta-de-classes. É por esta razão que os imperialistas e seus sócios capitalistas perseguem tanto o nacionalismo.

Os marxistas tampouco simpatizam com o nacionalismo porque os marxistas confundem apressadamente nacionalismo com xenofobia, coisa que apenas pode acontecer dentro das próprias nações imperialistas... Como o medicamento, o Nacionalismo –como talvez qualquer outra ideologia- pode ser remédio numa situação e veneno em outra. Consideramos por isto marxismo estrito colonialismo cultural em países novos. Socialismo é muito mais do que isto, basta conhecer a História, que nem passa pelo fascismo - aliás não seria nada difícil identificar este DNA independente na História do país se houvesse boa vontade, ainda que busquemos hoje inovações. 
Na verdade os nacionalistas é que possuem fartas razões para detestar o marxismo, pelas razões acima arroladas e outras, uma vez que o marxismo tampouco respeita a cultura e a identidade tradicional das nações. No fundo, os nacionalistas sabem que os marxistas também são imperialistas, e fazem o mesmo trabalho sujo dos capitalistas de invadir as nações e explorar o seu povo e a terra até a exaustão.

a falsa  "missão" civilizatória do imperialismo

Em última análise, o marxista participa da mesma ideologia iluminista e modernista de redimir as nações das “trevas” do passado, com suas crenças, superstições e estruturas sociais, levando a humanidade “ilustradamente” para as “luzes da civilização”! E nesta mais que duvidosa “boa intenção” sobressai toda a forma de exploração social, onde ademais o colonizado sempre será um sócio menor do próprio colonizador.
Pois que nos esqueçam apenas e nos deixem em paz todos estes parasitas materialistas. Nós saberemos separar perfeitamente o joio do trigo -seja do nosso próprio passado como daquilo tudo que oferece o colonizador-, ainda que a alienação ideológica alcance confundir muitas mentes desavisadas entre nós.
O nacionalismo não representa meramente uma opção nas lutas do socialismo, ele significa uma via autônoma e independente em seus valores e perspectivas sociais. Fala-se hoje sobre uma “terceira via” na esfera política, associada à Social-Democracia, mas na verdade esta mal passa de uma combinação híbrida entre ideias marxistas e capitalistas. A verdadeira terceira via sempre teve exposta através do próprio nacionalismo, constituindo uma síntese soberana que olha para além dos conflitos sociais, protagonizada inclusive por um novo extrato social, emergente especialmente no Novo Mundo onde a estrutura social ainda está em processo de construção. Este extrato social emergente sabe olhar pois para a unidade da nação e para as metas luminosas de um novo modelo de humanidade, acompanhando a evolução das coisas, sem perder suas raízes profundas cavadas na história e na evolução plena do ser humano.

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