A futura Capital do Brasil

A história do Brasil tem sido marcada por um fator cíclico muito interessante que é a rotatividade geográfica de suas Capitais Federais, ocupando paulatina e regularmente sucessivas regiões no país. Este processo acompanha e determina a evolução social da nação pela ocupação e organização progressiva dos seus amplos territórios, como se observou em tempos mais recentes através da criação de Brasília.

Considerando tratar-se Brasília da terceira Capital e restar ainda muito a se fazer  territorialmente, temos já um processo bem consolidado e vocacionado para prosseguir, até porque as dinâmicas socioculturais da nação seguem muito vivas. Aparentemente e pelo que tudo indica, o próximo desafio será ocupar e gerenciar a Amazônia, território que se encontra cada vez mais sob os diretos olhares do mundo, inclusive de olhares cobiçosos sob diferentes matizes. O Brasil não poderá então deixar de dar uma resposta à altura, e nada poderia ser mais eloquente do que mudar a própria Capital do país para aquela região.

Tudo isto deverá se consolidar somente para mais de um século pela frente, porém os primeiros passos nesta direção já serão dados nos tempos atuais. A criação de Brasília tem sido um grande sucesso, a região Centro-Oeste está se tornando rica e próspera, atraindo cada vez mais populações que já não encontram nos litorais as respostas que necessitam. Com isto também crescerão alguns dos problemas que no passado levaram justamente a pensar na necessidade de transferir a Capital do litoral para os interiores. As terras do Cerrado estão sob imensa pressão, a ponto de pouco restar já deste bioma fora dos parques nacionais. Não apenas os solos se esgotarão como também os rios do Centro-Oeste serão exauridos. As áreas mais férteis são realmente aquelas na transição da Amazônia onde a umidade é mais constante, como se observa no Mato Grosso.

E é claro que as crises também se acirrarão ainda mais naquelas outras regiões mais populosas do litoral, em função da explosão demográfica, da violência social e da perda de capacidade tecnológica em função das mudanças climáticas. Tudo isso mostrará as regiões do interior e do Norte como paraísos de paz e de esperança, com todo o seu potencial humano. Afinal, se tantas das respostas que os litorais estão buscando estão por lá -como energia, lazer, cultura, emprego, segurança, etc.-, porque razão não migrar de uma vez por todas para estes grandes interiores do país?!  

Então chegará e por várias razões a hora de olhar para frente. E desta vez os olhares seguramente se voltarão para este enorme território inexplorado do país e do Continente que é a Amazônia. Afinal mais da metade do Brasil está ocupado pela Amazônia legal e o fator segurança -que sempre foi uma grande preocupação nesta enorme região-, se fará impor de forma definitiva diante das pressões internacionais.

A criação de uma nova Capital tende a ser longamente planejada e preparada, afinal representa um processo ousado e dramático de forte impacto civilizacional. Talvez seja longo o prazo de planejamento total de uma nova Capital. A primeira vez que Brasília foi nomeada foi em torno de 1820, ou seja, cerca de 150 anos antes da sua inauguração, e já vislumbrando os interiores do país. A região mais exata foi definida apenas 68 anos antes, através da Missão Cruls (portanto já dentro do atual ciclo social de 200 anos).

Ademais, pensar em termos de mais de um século em nossos tempos acelerados, realmente parece muito, porque as coisas são bastante imprevisíveis e sabemos que será prazo suficiente para termos um mundo bem diferente. Deste modo, é bastante fácil prever ondas crescentes de pressão interna e exterior sobre a Amazônia e sobre a sociedade por mudanças e atitudes, até desaguar no ato final de criação de uma nova Capital-modelo simbólica e operacional. Contudo, poderá ser necessário uma preparação adequada para formar uma mentalidade apta a fazer frente a tal desafio, e trataremos disto nos próximos segmentos.

O Brasil necessitará mostrar não apenas sabedoria como competência para ocupar a cobiçada região, e nada poderá ser mais simbólico e efetivo do que implantar ali a própria Capital do país. O simples fato de se anunciar esta intenção já servirá como sinal da seriedade com que o país está tratando o assunto. Não apenas uma Capital, mas todo um Distrito Federal será novamente planejado, e em termos contundentes em favor do ambientalismo, com arrojadas tecnologias em prol da sustentabilidade econômica e ambiental, buscando promover o convívio harmonioso entre o meio ambiente pujante da região e as necessidades humanas modernas.

Tudo isto representará um sinal positivo e eloquente das novas coisas, trazendo esperanças para o país e para a humanidade.

Um Planalto das Origens

Posto isto, será necessário começar os planejamentos. A pesquisa com a Inteligência Artificial demonstrou consenso quanto a esta futura Capital do Brasil (a surgir dentro de uns 150 anos) dever se encontrar sobre o Escudo das Guianas, o que representa uma vasta região que compreende seis países. 

O Escudo das Guianas corresponde a cerca de 40% do bioma amazônico. Trata-se de uma das áreas de floresta tropical mais preservadas e intocadas do mundo, atuando como um gigantesco sumidouro que armazena bilhões de toneladas de carbono, o que a torna vital para a regulação do clima global. É também uma das maiores reservas de água doce do planeta.

O Planalto das Guianas recebe a sua umidade diretamente dos Oceanos, o que representa uma garantia de sua vitalidade e força de regeneração. Na verdade, nesta zona encontram-se os ventos alísios de ambos os Hemisférios, concentrando nuvens oceânicas diretamente sobre as florestas da região. É como uma Mata Atlântica potencializada pelo encontro das correntes úmidas de dois Hemisférios. Estamos falando afinal não apenas do cume geográfico de um Continente, como também do seu posicionamento sobre a zona do Equador.

Podemos inclusive dizer que esta área de planalto seja o berco da Amazônia verde, cuja evaporação dirigida para os Andes termina por produzir chuvas que permitem o crescimento do restante da floresta e, a partir disto, distribuidor para o restante do Continente. Assim, escolher o Planalto das Guianas coloca portanto a Nova Capital do Brasil no ponto zero de geração da vida do continente. Se o restante do sul ou sudeste do país colapsar por falta de água em 150 anos (ou pelo ano de 2160 d. C.), o Distrito Federal estará posicionado na cabeceira da "fábrica de chuvas" da América do Sul, garantindo resiliência biológica eterna à sede do governo.

O relevo do planalto é caracterizado por colinas onduladas, montanhas baixas e imensos planaltos tabulares (conhecidos como tepuis). Abriga os pontos mais altos do território brasileiro, como o Pico da Neblina, além do famoso Monte Roraima na fronteira tríplice. Contudo, por ser uma formação de maciços cristalinos antigos, a região concentra ricas jazidas de minerais metálicos de alto valor econômico, como ouro, diamantes, ferro, manganês e bauxita, o que traz naturalmente pressão sobre toda esta região.

Trata-se ademais de uma das zonas geologicamente mais antigas e tectonicamente estáveis do mundo. Certamente o homem do futuro de um mundo em crise acelerada, estará desejoso por vida e por conhecer as origens da vida. Nos mitos antigos os planaltos estavam muitas vezes ligados às origens da vida, como na Colina Primordial dos egípcios onde surgia o Deus Sol – ainda que tudo isto contenha também uma dimensão metafórica.

Ao fim e ao cabo, a intuição de autores que associaram o escudo das guianas a pré-história não está tão equivocada. Entre eles destaca-se Sir Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, e que em “O Mundo Perdido” (1912) vê no icônico Monte Roraima um cenário para a preservação de espécies pré-históricas. Temos também o “nosso” Mário de Andrade cujo herói Macunaíma, nasce na beira de um rio no Estado de Roraima. Para os indígenas da região, como os Taurepang e Macuxi, o Monte Roraima é tido como o tronco cortado da "Árvore da Vida", chamada de Wazaká. Cabe ainda citar, além dos autores locais, o nome de Alejo Carpentier, renomado romancista cubano que na obra “Os Passos Perdidos”, o protagonista viaja para a região do Orinoco e da Gran Sabana venezuelana em busca instrumentos musicais primitivos e termina realizando uma viagem de volta no tempo regressando à pré-história da humanidade. O que nos levaria a mencionar também filmes de cinema ambientados na região como o místico “O Abraço da Serpente” inspirado em relatos de cientistas estrangeiros.

Estudos geográficos para a Capital

A idade de criar uma Civilização da Amazônia não é de todo exótica ou inédita. Hoje sabemos que a Civilização Aquiry desenvolveu grandes redes de cidades no outro extremo da Amazônia, por assim dizer, produzindo uma arquitetura de terraços e avenidas algo semelhante à Civilização Cahokia dos Estados Unidos. Outrossim as zonas próximas a Manaus também seriam mais centrais na Amazônia oferecendo um cenário de segurança relativa. No entanto, num contexto de crise civilizacional, convém evitar o risco de secas prolongadas e da contaminação que pode vir com as águas das terras baixa da Amazônia.

O norte do Pará também é amplamente ocupado pelo Escudo das Guianas, como uma espécie de planalto de médias altitudes. Ali seria escolhido o melhor local para a futura Capital, nas bordas deste escudo cristalino. Toda esta região está cercada por importantes acidentes geográficos como Serras (como a de Parima e a do Tumucumaque, que é o maior parque de floresta tropical do mundo) e rios piscosos e caudalosos como o grande Amazonas e outros limpos e livres de mosquitos vindos diretamente do Escudo das Guianas (como o Negro, o Jari, o Paru e o Trombetas), além de florestas densas de altitude. No Município de Almeirim no Pará, encontra-se o Parque Estadual das Árvores Gigantes, protegendo a maior árvore do Brasil e da América Latina -um majestoso angelim-vermelho com 88,5 metros de altura.

Naturalmente esta será uma civilização basicamente fluvial (como já acontece de fato há muito na Amazônia), resgatando as boas práticas de transporte fluvial, e trazendo de volta a imagem de uma Nova Atlântida.

Dentro de um estudo preliminar alguns pontos já podem ser avistados, cada qual com suas vantagens e desvantagens. No geral os solos são pobres e lixiviados (salvo nas regiões centrais que contam com depósitos vulcânicos) e a acessibilidade e a segurança variáveis. Será preciso descobrir então o que poderá ser melhor para a futura Capital: ser uma secreta “Cidade Oculta” nos altos do Rio Paru, uma fértil “Cidade-Sentinela” na imponente Serra do Maicuru ou uma remota “Fortaleza Invisível” nas escarpas do Rio Trombetas?! Seja como for, estas regiões deverão estar intimamente integradas dentro de todas as novas dinâmicas civilizatórias.

E quanto a nomes, recebemos naturalmente das mesmas IAs dezenas de sugestões bastante pertinentes e significativas, inspiradas na mitologia indígena (como “Tupana”) ou na clássica (como “Elysia”), na toponímia (como “Parime”) ou na orografia local (como “Mesetânia”), entre outras tantas palavras inventadas e sugestivas de teor espiritual (como “Aurantis”), cósmico (como “Solária”) ou ambiental (como “Verdantis”).

Não obstante, uma localidade pode ter mais de um nome para diferentes finalidades. Muitos destes nomes também poderão ser aproveitados para batizar novas localidades da região, e até mesmo regiões inteiras, tal como tem sido proposto nomes alternativos para a própria América Latina ou do Sul a partir de tradições locais (como o cuna “Abya Yala”) ou esotérica (como o nosso “Telúria”).

Preparações para a Civilização Futura

Cada ciclo social está centralizado pela criação de uma nova Capital e ocupa 200 anos com três gerações. No presente momento começa a terceira e última geração do ciclo atual do Centro-Oeste centralizado em Brasília, com orientação de rumar já para as fronteiras da Região Norte e implementar uma cultura espiritualizada de base social e nacionalista.

Trata-se de uma transição para as coisas futuras. Ainda não existem condições para uma ocupação massiva da Amazônia, mas muito pode ser feito para preparar uma nova cultura nesta direção. Para isto, a sociedade nacional e até a continental deverá cercar a Amazônia por um anel formado por grandes comunidades sustentáveis, como um verdadeiro rosário civilizacional. Isto servirá tanto de proteção para a Amazônia como também de modelo sociocultural sustentável, tendo como tarefa básica a proteção e a regeneração da floresta. Cada cidade terá um máximo de doze mil pessoas, e quando chegar neste índice ela se dividirá ao modo das tribos e das colmeias para criar uma nova cidade. Porém tudo isto deve ser realizado com grande método e espírito de movimento, atraindo as pessoas dos litorais para somar neste novo esforço civilizacional de impacto nacional, continental e até mesmo planetário.

Será desta nova estrutura social que poderá surgir no seu tempo os movimentos adequados e devidamente amadurecidos para uma ocupação sustentável da Amazônia, através de uma transição social para uma economia sustentável. Esta é portanto a etapa necessária para se começar a pensar numa nova etapa na civilização brasileira e americana.

A Comunidade EFA (Espiritual-Fraternal-Ambiental)

A natureza desta quarta etapa social será religiosa, sacerdotal e espiritual. Nada disto é estranho para os movimentos de nova era. As pessoas que simpatizam com a cultura alternativa, deveriam saber identificar com qual modelo de sociedade os seus valores mais se aproximam. Se tivermos em conta a comunidade rural alternativa, a referência direta está na vida tribal e até nos monastérios. Então nada mais natural do que assumir estes modelos e tratar de seguir as suas diretrizes o mais objetivamente possível. 

Talvez não seja ainda o momento de investir na ideia monacal propriamente dita, que será uma essência daquela fase futura da civilização das Américas em especial. Porém com certeza esta transição deverá ser alcançada através de uma sociedade filosófica e aspirante da espiritualidade. Por isto as novas comunidades deverão ser orientadas por uma nova filosofia que reúne fraternidade, ambientalismo e espiritualidade. E tendo já no seu cerne uma Ordem-semente da religião do futuro pautada sobre estes mesmos valores, incluindo uma visão muito avançada e profissional da espiritualidade e um pleno conhecimento das artes da iluminação espiritual.

Não precisamos insistir no quanto tudo isto se inspira nos modelos tribais, porém adaptado para um movimento socialmente maior a fim de se adequar às demandas da sociedade moderna e ser capaz de cumprir com os objetivos necessários. E provavelmente nisto também estaria o cumprimento de uma importante profecia - a da vinda dos agarthinos das regiões centrais (centrais não da geologia e sim da geografia) para salvar a civilização e criar um novo modelo de sociedade, conforme anunciam as profecias de Shambhala.

 

Leia também:

As Regiões Iniciáticas do Brasil

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Sobre o Autor

Luís A. W. Salvi (LAWS) é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV.  




As Guerras Mundiais e o segredo do Triângulo

 O Triângulo é a primeira forma geométrica, e com ela se implementa uma unidade. Por esta razão acontecimentos tríplices possuem um poder alavancador, criando uma corrente de unificação. Um aparelho elétrico necessita de correntes positiva, negativa e neutra.

Tem sido avaliado que Guerras Mundiais tem sido desencadeadas quando se criam três importantes frentes de batalhas. Interesses imperiais terminam por espraiar o conflito para outras nações e assim começa uma guerra mundial. As Guerras Mundiais tendem a envolver de algum modo os três continentes da Eurasáfrica.

A Primeira Grande Guerra teve uma origem bastante complexa, mas podemos ainda assim assinalar três frentes de tensões:

1º front: Sérvia X Áustria-Hungria

2º front: França X Alemanha-Prússia

3º front: Grã-Bretanha X Império Otomano

Já a Segunda Grande Guerra teve uma clara origem tríplice de pressões imperialistas (ver mapa abaixo, num quase Triângulo de Pitágoras aliás), a saber:

1º front: Alemanha X Polônia

2º front: Japão X China

3º front: Itália X Etiópia

As Guerras Futuras

Um século após, atualmente também se está começando a formar um triângulo de conflitos, ou seja:

1º front: Rússia X Ucrânia

2º front: Israel X Irã

3º front: China X Taiwan 

Embora alguns destes últimos fronts sejam hoje apenas estimativas, os Estados Unidos estão muito interessados em defender Israel e Taiwan por considerar estes pequenos países enclaves estratégicos nas suas regiões. Neste aspecto o amadurecimento dos conflitos locais pode permitir entrever para onde o mundo está caminhando.

Contudo, dentro da própria lógica aqui tratada, haveria um perigo especial nesta próxima Guerra Mundial, implícito inclusive no próprio potencial destrutivo que a humanidade tem acumulado desde então. Este risco deve-se naturalmente por tratar-se da Terceira Grande Guerra. O 3x3=9 também forma um ciclo completo que confere um teor de acabamento às coisas, de modo que podemos estar falando efetivamente de uma “Guerra Terminal” ou “de Fim de Mundo”. O planeta começa a sofrer grandes mudanças, e em muitos planos, de modo que os próximos anos poderão ser decisivos.

Tudo isto significa que uma Terceira Grande Guerra pode trazer consigo embutida uma espécie de Quarta Grande Guerra também, de modo que se trataria de uma Guerra-Dupla travada em diferentes dimensões - e com isto os paradigmas da humanidade definitivamente se transformam.

Na verdade esta ideia estaria presente também na própria ideologia iraniana, na medida em que se aguarda a chegada do Iman Mahdi após uma guerra mundial para dar início então à grande Guerra Religiosa do final dos tempos. A Pérsia representa uma síntese da Civilização Árya e um dos grandes berços das suas profecias, irradiando para muitas religiões as suas crenças.

Deste modo, várias religiões poderiam também compactuar de ideias afins, mesmo porque o conservadorismo e o fundamentalismo têm crescido muito no mundo nos últimos anos. As nações cada vez mais acham-se internamente divididas com isto, insinuando uma promessa de universalização do conflito de uma forma jamais ocorrida...

Analistas estimam que as coisas possam estar maduras para uma invasão chinesa a partir de 2030. É possível que o Irã não comece uma guerra local antes disto, porque ele já prevê uma Guerra Mundial como vimos, onde possa aí sim contar com muitos aliados. Seria previsível porém que no momento em que a China decida-se por invadir Taiwan, Teerã trate de aproveitar a situação para incrementar uma guerra com Israel -afinal as atenções dos Estados Unidos estarão amplamente divididas então- a fim de fechar o triângulo-de-fogo da Terceira Guerra Mundial. 

O Irã é um país que desde sua Revolução Islâmica vem se organizando de forma independente e original, aprendendo com todas as ocorrências do entorno para salvaguardar os seus interesses. Nisto caberia destacar três fatores importantes desta nação:

a. Geografia estratégica 

b. Geopolítica tentacular 

c. Desenvolvimento militar

A geografia persa é estratégica tanto na região como internamente oferecendo sistemas montanhosos na face Ocidental. Sua capacidade militar e alianças proxis tem mostrado já eficiência regional. E como sabemos o país persa além de desenvolver novas tecnologias bélicas também está na iminência de ter a sua bomba nuclear, uma conquista que pode mudar o equilíbrio de forças na região. A diplomacia também tem o seu lugar nisto tudo. A reaproximação que a China realizou entre o Irã e a Arábia Saudita teve o poder de neutralizar a ação dos Estados Unidos nos últimos conflitos abertos.

Vale recordar que a história da Pérsia está profundamente confundida com a dos judeus, inclusive de forma positiva quando o rei Ciro foi declarado pelos profetas hebreus como um libertador e um enviado de Deus, enriquecendo e ampliando o conceito messiânico para outras raças e civilizações. As profecias bíblicas de Gog e Magog porém estimam que a (provavelmente) Pérsia deverá liderar uma coalizão de nações contra Israel.

Tudo isto irá somando para um dia poder explodir. Os mais otimistas falam da possibilidade das coisas permanecerem como uma “Guerra Fria” em função da própria letalidade das armas modernas, porém como existe todo tipo de armamento, a incógnita a respeito e os riscos são igualmente grandes. Uma dúvida aqui seria em torno da Guerra da Ucrânia: será que tal guerra tardará tantos anos mais?! Os Estados Unidos podem não se mostrar tão receptivos a isto. Porém, a Europa, que seria a mais interessada no assunto, está se rearmando aos poucos para substituir os Estados Unidos na sua própria autodefesa. E uma Europa armada sempre foi sinônimo de guerras.

Sobre o Autor:

Luís A. W. Salvi -LAWS- é estudioso da Sabedoria Tradicional há mais de 40 anos e porta-voz da Sociologia Holística. Publica suas obras através do Editorial Agartha e coordena também o Canal Agartha wTV.

 


Elon Musk e os desafios da Civilização Planetária

Vivemos hoje uma importante transição civilizatória, onde se somam os restos decrépitos e materialistas de uma antiga Civilização, com os anúncios também temerários mas infantes de uma nova Civilização, a qual necessita porém ser ainda regulada em termos novos e apropriados. Esta nova Civilização cósmica ou planetária mostra-se para além da antiga ordem de Nações colocando em cheque as instituições de ontem e desafiando as capacidades humanas de fazer frente às poderosas tecnologias emergentes. O teor maior destas tecnologias se mostra claramente por seu alcance planetário e até mesmo interplanetário, criando heróis instantâneos e inatingíveis capazes de grandes proezas. 

Desde o alto do seu castelo de vaidades, o homem moderno tende a imaginar que o nerd é o modelo do homem do futuro, quando na verdade se trata apenas do epítome do próprio modelo cultural do homem branco -alienado, infantil e presunçoso. Elon Musk incorpora hoje meramente os fetiches do homem branco moderno, como o automóvel do futuro (Aldous Huxley já retratara o automóvel como o “deus” do homem moderno), o nome Tesla de gênio incompreendido, tecnologias de comunicação, energia solar, a aventura espacial e a robótica. E com isto deseja criar um novo mundo acima das nações. O ser humano médio sente um forte fascínio pela inteligência, pelo poder e pela riqueza. E no entanto sempre se soube que pessoas muito ricas, inteligentes e poderosas podem facilmente avançar para a loucura passando a sentir-se como verdadeiros Imperadores do Mundo. Razão pela qual os imperadores de Roma decidiram resgatar a antiga tradição de andarem acompanhados por um filósofo, e que na Idade Média foi substituído pelo bobo-da-corte. O nome tradicional para este modelo é Sinarquia.

Aquilo que se apresenta por ora são apenas as sombras insinuantes destes novos tempos, trazendo conquistas e avanços tecnológicos mas também ameaçando nações e sociedades como um monstro devorador, deixando as pessoas atônitas diante da sua impotência para controlar as coisas. Por mais inusitada que possa soar esta situação, na prática ela não difere tanto assim de outras análogas que a humanidade já atravessou nas revoluções culturais ocorridas há cinco mil anos e há dez mil anos atrás, se considerarmos as condições culturais daquelas épocas. Como as coisas poderiam ser enfrentadas então?! Esta é a única e a verdadeira questão que a humanidade necessita conscientizar.

Quando as pessoas estudam as Civilizações elas não sabem que estão diante do milagre na forma de História. Elas imaginam que tudo aquilo foi apenas obra humana, quando na realidade a influência, a inspiração e a mediação dos Mestres estão presentes em todas as etapas destes processos, seja refinando, regulando ou disciplinando as diferentes iniciativas. E quando esta influência se afasta a Civilização também rapidamente se deteriora, decai e se extingue.

Em todos os tempos a Civilização somente foi possível graças a tal intermediação, de modo que o ser humano não deveria vangloriar-se tanto assim das suas conquistas, porque a depender de si próprio as coisas nunca iriam tão bem e nem tão longe -e os nossos atuais tempos materialistas não nos deixam mentir a respeito. 

O importante será compreender neste caso que existem também Forças espirituais históricas perfeitamente habilitadas para ajudar a gerir as coisas de maneira ótima, contornando os riscos e permitindo com que a Civilização possa avançar o seu curso sem riscos de retrocessos. Neste caso já não estamos falando portanto de filósofos comuns, porque aquilo que se demanda nas fundações das civilizações já pertence a outro nível, onde somente o que existe de melhor no planeta é capaz de suprir todas as demandas então necessárias.

Para isto a humanidade deve porém apoiar as iniciativas destas Forças espirituais, conhecidas também como “Hierarquia Espiritual”, dotada que é tanto de inteligência iluminada como de compaixão ilimitada -uma combinação praticamente inexistente no plano da própria humanidade-, e a qual acompanha a evolução humana a partir de uma faixa evolutiva mais avançada de até dez mil ano -e não estamos falando dos avatares pois senão as distâncias seriam ainda maiores. Ao contrário destes, que vem sempre alavancar os novos tempos, os Mestres regulares encarnam em todas as gerações, capacitando-se assim a proporcionar uma assistência hábil e contínua, à simples condição da humanidade aprender a reconhecer humildemente a sua sutil Presença e a sua profunda Autoridade diante das coisas emergentes da existência. Afinal “Eles vem do nosso futuro”. Esta é pois uma das formas como a Providência divina se manifesta, sendo inelutável a necessidade humana desta assistência sob pena de padecer de males totalmente incontroláveis.


Sobre o Autor:

Luís A. W. Salvi é estudioso da Teosofia e dos Mistérios Antigos há mais de 40 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo tradicionais, publicou a Revista Órion de Ciência Astrológica pela FEEU e dezenas de obras pelo Editorial Agartha. Nos últimos doze anos vem direcionando os seus conhecimentos para a Teosofia, realizando uma exegese ampla da Doutrina Secreta e também das Estâncias de Dzyan.

As Esquerdas” do Século XXI

Aqueles que associam o avanço social a classes fixas e definidas, poderão estar praticando alguma forma de reducionismo histórico (fixado em circunstâncias momentâneas), uma vez que tradicionalmente as classes sociais emergentes são apenas veículos para o avanço e as mudanças sociais em qualquer tipo de sociedade. Uma revolução significa um salto de dinamização social coletiva em favor de uma classe emergente. Ademais, as frentes que compõe as chamadas “classes revolucionárias” nunca são socialmente homogêneas como se quer imaginar.

Assim -e para limitar-nos ao contexto ideológico assim definido-, a ideia de “Esquerda” surgiu quando a burguesia vitoriosa quis se contrapor à aristocracia (e eventualmente ao clero)* depois da Revolução Francesa. Mais tarde, sob o contexto opressivo da revolução industrial (e quando a aristocracia havia se fundido ainda mais profundamente à burguesia), o proletariado se levantou para ocupar a posição das Esquerdas, ao mesmo tempo em que desponta o Anarquismo como visão política alternativa
, e já como semente de uma etapa futura da humanidade. O processo poderia ser estendido para momentos anteriores da desconstrução da civilização europeia, quando por exemplo a organização da própria aristocracia também representou um avanço social em relação ao status social medieval através da formação das nações.

Historiadores e sociólogos tem observado a existência de um ciclo de 200 anos nestas mudanças sociais, ao menos desde o final da Idade Média. O mesmo ciclo pode ser notado nas sociedades em construção, como aquelas do Novo Mundo, onde no Brasil por exemplo, as capitais federais mudam de região a cada 200 anos para acompanhar as evoluções sociais deste continente –pois aqui ainda não falamos de “revoluções” por se tratar de um quadro de construção social e não de desconstrução. Nestas sociedades em organização, as classes ainda se acham em construção, de modo que este constructio é que representa suas transformações socioculturais. Aqueles que jugam que as classes simplesmente não devem existir, não compreendem o componente cultural vital que se acha na raiz das estruturas sociais, para além das circunstâncias históricas.

Então, estas mudanças sociais representam a transformação do controle do poder da civilização através de uma nova classe social emergente, quando a antiga classe que está no poder passa a manifestar também os vícios da corrupção e da opressão.

Os marxistas costumam dizer que, uma vez que o proletariado realiza a sua revolução, então tudo está resolvido porque já não haverá classe a ser oprimida. Nisto falta, porém, atar vários pontos, tais como.

1. PÓS-CLASSE. Considerar devidamente a visão "pós-classes" que traz o anarquismo, como etapa revolucionária pós-estado. De modo que isto concentraria o cerne das mudanças socioculturais da Europa pós União Soviética
, num quadro de verdadeiro “final da História” (européia ou hemisférica) portanto.

2. TRANS-CLASSE. Respeitar as essências culturais das restantes classes sociais, como estruturas de consciência, para além das problemáticas econômicas e das circunstâncias históricas.

3. PRÉ-CLASSSE. O quadro “pré-classes” da exclusão social nas “sociedades periféricas”, uma vez que a problemática social do mundo não começa com os “proletários explorados” e sim com a exclusão aviltante existente sobretudo nas sociedades colonizadas ou pós-colonizadas.


O avanço do Novo Mundo

Neste último item, voltamos a tratar então das citadas “nações em construção” onde, apesar de permanecer parcelas significativas de exclusão social, também existe uma relativa evolução social. Ocorre que neste processo formativo, dá-se igual ou maior ênfase ao cultural que ao econômico.

Considerando os ciclos sociais de 200 anos antevistos, o Novo Mundo acha-se na atualidade organizando a sua terceira classe social, aquela que recebe no jargão sociológico tradicional o nome de “aristocracia”, ou a cultura dos guerreiros, como classe idealista e esclarecida, com capacidade de consciência de nação ou de sociedade unida. 
A aristocracia tradicional não é uma classe voltada para administrar herdades nababescas, e sim uma categoria de idealistas geralmente militarizada e despojada, que vivem em vilas e nos acampamentos militares, ainda que as relações com o poder terminem por descaracterizar até as melhores vocações, mesmo as religiosas.
Na verdade, este é o grande contexto cultural do socioambientalismo, filosofia emergente e original do nosso país e que representa a sua grande vocação sociocultural, através de modelos sociais populares inspirados nos campesinos, quilombolas, caiçaras, indígenas – e ecologistas. Podemos observar inclusive, que o Fórum Social Mundial cada vez mais vem sendo ocupado por estes atores em todo o mundo, seja porque as “Esquerdas tradicionais” têm chegado ao poder e se desgastado, seja porque estes movimentos socioambientais realmente representam melhor as novas urgências planetárias.

Esta classe de nobreza d'alma pode se expressar através do nacionalismo social ou do socialismo nacional, inclusive naqueles moldes que o marxismo definiu como “utópico” (em função das formulações idealistas de “Utopia” de Thomas More), assim como do ambientalismo e da espiritualidade.
Neste aspecto, caberia sobretudo à burguesia novomundista esclarecida buscar esta evolução ou promoção sociocultural em prol desta nova etapa aristocrática, tratando de fazer avançar a justiça social e a própria consciência humana; coisa que tendem a fazer alguns dos mais ricos e também muitos filhos da burguesia e da classe média. Podemos entender a opção alternativa do Movimento Hippie e derivados como perfeitamente representativo deste processo histórico novomundista.

O nacionalismo social tem realizado conquistas já no Novo Mundo, uma vez que tem passado já um século da sua existência. Prova disto é a construção de Brasília, segundo o avanço do calendário sociocultural do Hemisfério ou do Continente.


Cada etapa social de 200 anos cobre três gerações destinadas a fundar, consolidar e transformar uma dada cultura social. As três naturezas da aristocracia tradicional são definidas como militar, política e filosófica, constituindo também a cultura nacionalista das gerações dos guerreiros. A etapa “militar” é fundacional, como aquela que implantou a República no Brasil. A etapa “política” valoriza a polis e as instituições sociais, por isto as novas capitais são criadas nesta etapa média de consolidação. A nova e última etapa do nacionalismo social é a “filosófica” de adaptação e resgate de valores, encampando o ideal comunitário e, através disto, os modelos sociais nativos tradicionais; donde também as “utopias” das novas cidades sustentáveis e socialistas ou fraternais, laboratórios para uma efetiva renovação sócio cultural no mundo. Mais uma vez vale a menção aos Movimentos Hippies e derivações dentro destas novas aspirações socioculturais ambientalistas.

E assim, tratemos de resumir os quadros ideológicos aqui delineados para fins de avanços socioculturais no Século XXI
, elegendo para a sub-etapa novomundista um termo específico para a geração em pauta:

Europa (ou Hemisférios Norte/Oriental) = ANARQUISMO (Desconstrução)
Américas (ou Hemisférios Sul/Ocidental) = SOCIOAMBIENTALISMO (Construção)

Soa evidente que algumas regiões serão mais representativas do que outras, achando-se algumas também posicionadas como “zonas-de-transição”.


Desentranhando o caos ideológico

Não poderíamos deixar de observar a grande confusão e perda de rumos que os cenários ideológicos cruzados do mundo produzem amiúde, com especial prejuízo para os povos em formação. Como parte de uma guerra de propagandas, a cooptação ideológica é imensa e cruel; o falso discurso humanista impera em todos os espectros políticos, e o materialismo termina por devassar mentes que a rigor buscariam o espiritual e o universal. Com isto muitas nobres vocações são desviadas e terminam reduzidas em suas aspirações; o espiritual se confunde com a simples terapia e intelectualismo e o universal se substitui pela mera tolerância desengajada.

A perseguição e o patrulhamento ideológicos são atrozes, geralmente atirando pechas injustas e injustificáveis, na tentativa de nivelar tudo por baixo. Como qualquer ideologia, o Nacionalismo possui muitos vieses, e a legitimidade de cada ideologia depende inteiramente das circunstâncias históricas. Porém, não é incomum um esquerdista radical rotular com uma face um nacionalista de “fascista”, e com a outra face usar as ideias e conquistas nacionalistas para as suas próprias causas. Contudo, podemos demonstrar que, hoje, a Esquerda marxista também se confundiu com a situação e com o poder, perdendo a sua legitimidade como dinamizador de avanço social mesmo na Europa.


Neste sentido, o colonialismo ideológico não atinge apenas as Direitas –e isso vale também para os próprios núcleos dos impérios socialistas, cujas nações de entorno são profundamente oprimidas e espoliadas até o nível da escravidão. Como sucede nas críticas realizadas pelas ideologias européias a modelos sociais, culturais e econômicos que para elas são considerados passados, mas que para as sociedades em formação ainda são coisas que pertencem sine qua non ao seu próprio futuro. Endossar cosmovisões alheias acriticamente, representa alienação das mais graves e fatais para cada indivíduo, para a sociedade e para o próprio destino do planeta.

O conhecimento dos calendários sociais tradicionais, tal como trazemos nesta matéria, é fundamental para a detenção uma precisa Ciência da História. Estes calendários tendem a não desmentir as grandes ideologias, mas ajudam a discernir quadros complexo como o do multiculturalismo e da globalização, assim como situações desafiadoras como o “final da história” hoje em processo na Europa, quando as dinâmicas sociais internas deverão encontrar um repouso final, assim como questões refinadas como é a organização prática do Nacionalismo Filosófico na América do Sul em especial.
Quanto mais complexas e sutis são as situações, mais convém contar com instrumentos específicos para a sua análise e administração. A sociologia europeia, para exemplificar, trabalha com uma dialética histórica local, porém também existem “dialéticas” noutros continentes e até questões 
mais amplas de âmbito planetário.

* Maliciosamente, a burguesia impôs um modelo político de conciliação que lhe era afim, mais ou menos como atrair (e manter) o adversário para o seu próprio campo de batalha. A melhor aristocracia teria sempre dificuldades para encarar os jogos políticos ou convencer as plebes da nobreza das suas causas; mesmo porque a democracia aristocrática não é a representativa e sim a direta.
** Podemos dizer aqui que o socioambientalismo se completa com a espiritualidade, tudo isto perfeitamente representado pelo arquétipo tríplice que simboliza a terceira geração da aristocracia, que é o do signo de Sagitário, por se tratar da nona geração na formação do Novo Mundo, ou na completação da terceira classe social.

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Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com
 cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957


Porque o Brasil consegue se ferrar sozinho, sem ajuda estrangeira?

Combatentes da Guerra de Canudos (1897)
Volto a este assunto apenas para desenvolver melhor alguns tópicos: o nosso país nunca alcança vitórias sociais definitivas, sequer localizadas, porque o Estado sempre conclama as forças nacionais para combatê-las. E isto substitui na prática a intervenção internacional, mas acaba quase como sendo o mesmo, e um problema que países de menor porte não precisam muitas vezes sofrer –coisas que em parte justificariam as aspirações separatistas de alguns estados da nação.
Vamos agora a outros tópicos para refletir.



Revolução russa, 1917

1. Outras grandes nações fizeram revoluções! Sim, e daí se pergunta: como fizeram os grandes países que realizaram revoluções?? Aqui caberia observar que, por regra geral, as revoluções apenas podem surgir quando existe um treinamento incidental do povo em armas, através de alguma guerra externa. No Brasil, o mito do país-de-paz (entre tantos outros que o completam, como o do não-racismo) mantém o povo alienado das coisas. E se as coisas realmente chegar a um grau de tensão no país, a ameaça de intervenção externa pode se tornar real, como ocorreu em 1964 no Brasil, sob o golpe militar mascarado de “revolução”.

Os golpistas de 1964
2. O estrangeiro realmente não participa? Na verdade o estrangeiro já está presente todo o tempo, diluído e poderoso na própria máquina do Estado e no cotidiano das pessoas. Já faz muito que o imperialismo estuda forma para prevenir revoluções, e a mais eficaz delas é justamente manipulando e administrando golpes e revoluções a seu favor, como ocorreu entre nós desde a proclamação da República. As revoluções republicanas são os maiores golpes-de-marketing da burguesia na História moderna do planeta. Uma vez consolidado o golpe, a chamada “ordem de direito” pode retornar, seja porque as instituições terão sido já suficientemente minadas, seja porque é melhor para os negócios, evitando revoltas e instabilidades, através do mito da democracia representativa da cultura de massas.


Chacina de Vigário Geral, 1993

3. A revolução ou guerra civil não acontecerá no país? Muitas vezes as nossas lideranças sociais preferiram abdicar a aceitar a Guerra Civil, como ocorreu sob João Goulart e talvez com Dom Pedro II. Contudo, é mister saber que o Brasil sempre fez a Guerra Civil preventiva, através da chacina cotidiana de pobres e negros por exemplo. Mesmo que o crime organizado seja muitas vezes armado, ele não possui substrato ideológico para buscar uma revolução. Ademais, as ideologias sociais estão em crise no planeta todo, e aquilo que vaga e lentamente a vem substituindo está muito mais relacionado ao ambientalismo e à uma “cultura de paz”.



4. Existem alternativas à vista? Alternativas à violência da revolução social foi uma opção de muitos desde os primeiros tempos da Guerra Fria. E os horizontes atuais da crise ambiental trazem maiores perspectivas de uma revolução cultural progressiva do que realmente social e violenta. Se formos capazes de perseguir as raízes e as origens da democracia nas sociedades de médio porte (ao invés da utopia da microsociedade ou da ilusão da macrosociedade), através do fomento da cidadania em nossas cidades mais humanas, é possível que alcancemos criar ilhas de esperança que podem pouco a pouco podem contaminar toda a nação. Talvez até convivamos por muito tempo com o fantasma do golpe e da perseguição, caso avancemos para algo mais digno e humano, mas este pode ser um preço a pagar no aprendizado de ser humano.
O primado da meso-revolução -que é a revolução cultural, não comportamental e nem civilizatória-, tem sido a grande chave das mudanças duradouras das sociedades através dos tempos, porque sintetiza todas as coisas. 

Leia também
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O Ambientalismo pode alcançar força política?


* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
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Comuncidades - a nova face da Utopia



A utopia soft tomou a forma da comunidade alternativa desde os primórdios da Revolução Industrial, que também incrementou a urbanização maciça visando concentrar trabalhadores industriais, servidores e consumidores potenciais em torno das cidades como polos da nova etapa da economia global.

Projeto "New-Harmony", Robert Owen, Indiana,1838.
O idílio social rural era o contraponto natural a esta situação opressiva, e inspirou as primeiras propostas de contestação através do “socialismo utópico” de Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837), Louis Blanc (1811-1882) e Robert Owen (1771-1858). O termo foi forjado por Engels, quem pretendeu trazer depois, juntamente com Marx, o “socialismo científico” através do envolvimento das massas trabalhadoras na revolução violenta, para implantar a ditadura do proletariado –ou aquilo que se poderia chamar hoje de utopia hard.
Os hippies dos anos 60 seguiram mais ou menos a linha dos utópicos originais, buscando organizar comunidades rurais, embora não fossem raras as comunas urbanas. Este movimento alcançou o Brasil nos anos 70, já adaptado às circunstâncias locais de ditadura militar. Havia modelos inspiradores como Findhorn (1962) na Europa e The Farm (1971) nos Estados Unidos -além das comunidades de artistas e naturalistas como Monte Veritas, e nascida ainda sob a égide do “socialismo utópico” (falanstérios, etc.) em 1900.

Membros destas comunidades originais fizeram parte das fundações da cultura espiritual alternativa e comunitária brasileira, como Sara Marriot (de Findhorn, Escócia, para Nazaré Paulista, SP, com Trigueirinho), Ida Hofmann (fundadora de Monte Veritas, Itália, para Monte Sol, Palmital, Paraná) e Emma C. de Mascheville (de Monte Veritas para a Comuna de Cristalina, Goiás), quem foi madrasta de Swami Sevananda (Sítio Mãe d’Água, Belo Horizonte).
Estas e outras correntes–como a Antroposofia, a Ananda Amarga e a Grande Fraternidade Universal- apadrinharam o nascimento do Movimento Comunitário no Brasil. Contudo, este movimento –“organizado” pela ABRASCA- sempre abrigou distintas correntes “complementares”, e naturalmente se manteve associado também às cidades.

Durante a Ditadura, as Comunidades rurais eram uma alternativa orgânica ao fechamento político. Porém, após a Guerra Fria em especial, este movimento sofreu transformações, pois imaginava-se que a própria política pudesse voltar a alimentar as utopias sociais – com destaque para a reforma agrária. E assim, as comunidades cederam lugar para as ecovilas, onde geralmente existe maior ênfase na propriedade e uma oferta de serviços especializados. 
Com isto, percebe-se uma clara aproximação daquilo que sempre se soube: “as únicas comunidades que realmente funcionam são aquelas que possuem uma filosofia definida por detrás, senão mesmo uma hierarquia interna.” Com isto, o aspecto anárquico reduz-se quase somente ao individual...

Um novo olhar para as cidades

Apesar das tendências anarquistas, o movimento comunitário cedo tendeu para as ideias de centro e unidade, seja convergindo para os “corações das terras” (Chapada dos Guimarães, Chapada dos Veadeiros, etc.), ou “flertando” com as cidades sob diferentes formas e circunstâncias. 



O próprio conjunto de desafios da vida rural (que recebe ainda tão pouco apoio do Estado), fez as pessoas olharem com mais carinho para os problemas das cidades. Não obstante, as relações urbanas seguem mal definidas, como um verdadeiro “elo perdido” das ideias alternativas. Enxerga-se ainda as cidades como “males necessários”, para situações-de-transição e fontes de recursos. 
Talvez se intua a dimensão dos desafios que representa transformar uma cidade, e talvez as pessoas não se sintam capacitadas para assumi-lo. Nisto, emerge não obstante paralelamente novas utopias -para além da distopia” da ecovila-, com destaque para as Cidades Novas!
De fato, mais que “um novo olhar para as cidades”, mereceria a nossa atenção hoje um olhar para a proposta de Novas Cidades. Começar as coisas do nada pode parecer difícil, mas ainda assim costuma ser mais fácil do que mudar o velho.

Ora, se a vida rural se apresenta tão difícil e as cidades representam um polo de atração tão forte para as pessoas, nada mais lógico do que buscar uma síntese entre estas propostas! Comumente o caminho-do-meio traz as verdadeiras respostas para as nossas angústias.
Até agora, muitos têm se abrigado no reducionismo, como antídoto ao gigantismo do sistema global. Primeiro foram as comunidades rurais, depois foram as pequenas cidades. Além, é claro, dos centros urbanos de serviços especializados –lojas naturais, oficinas de ioga e meditação, etc.
Podemos considerar que o abrigo das pequenas cidades –Alto Paraíso, São Lourenço, São Tomé das Letras, etc.-, representou a grande surpresa e a inesperada “inovação” dos movimentos comunitários, modificando o perfil cultural destes locais e redespertando nas pessoas o antigo ideal rururbano que constitui a mais antiga face das utopias da Era da Civilização.


Contudo, estas pequenas localidades ainda dominadas pela cultura tradicional podem representar apenas o meio-do-caminho, e não um verdadeiro caminho-do-meio. Para conseguir fazer “virar a correnteza” a favor do novo, seria necessária muita luta e organização, assim como um aporte realmente massivo de pessoas de nova mentalidade para estes locais. E ainda assim, os instrumentos de mudança seriam bastante tradicionais e, como tal, questionáveis sob vários aspectos, até quanto aos resultados.
Porém, comumente os próprios porta-vozes do Movimento Alternativo tampouco são seguros o suficiente daquilo que almejam, e sua capacidade de organização social já tem sido posta à prova com pífios resultados. 
Apenas os “encontros” anuais seguem atraindo mais pessoas, até porque ali elas acham mais pessoas, como ocorre nas cidades...
Há que se aprender, e não insistir em reinventar a roda. Precisamos resgatar sabiamente os códigos reais da Civilização, e não se limitar a negar algo comodamente, apenas por estar sendo mal empregado atualmente. Como dizem os hindus, basta “recolocar a Roda da Lei em movimento”.
A partir disto, a criação de novas cidades-comunidades –ou “Comuncidades”- trará todas as respostas que necessitamos. Poderemos finalmente implantar ali os paradigmas de Nova Era, dos mais físicos aos mais espirituais, com grande impacto sobre o mundo. Além disto, teremos na Cidade Nova um polo alternativo de atração e de transformação ativa das coisas, onde a relações com o velho se manterão ao mínimo necessário, investindo antes na sua transformação contínua. O espírito de militância e o engajamento será a raiz deste movimento. 


A Cidade Nova trará o resgate da utopia alternativa que hoje se esvai sob as ecovilas de caráter profissional e pecuniário, assim como a realização dos sonhos de mudança, obstaculizados pelas antigas dicotomias campo-cidade geradas sob o sistema oficial opressivo. 
Obviamente, há somente que cuidar do sistema social na Cidade Nova, para que seja realmente harmônico e autêntico.

Assista também aos videos
A Cidade Orgânica - integração do ambiente social
Comuncidades - Parte 1 / Parte 2 


* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
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