A história do Brasil tem sido marcada por um fator cíclico muito interessante que é a rotatividade geográfica de suas Capitais Federais, ocupando paulatina e regularmente sucessivas regiões no país. Este processo acompanha e determina a evolução social da nação pela ocupação e organização progressiva dos seus amplos territórios, como se observou em tempos mais recentes através da criação de Brasília.
Considerando tratar-se Brasília da terceira Capital e restar ainda muito a se fazer territorialmente, temos já um processo
bem consolidado e vocacionado para prosseguir, até porque as dinâmicas
socioculturais da nação seguem muito vivas. Aparentemente e pelo que tudo
indica, o próximo desafio será ocupar e gerenciar a Amazônia, território que se
encontra cada vez mais sob os diretos olhares do mundo, inclusive de olhares
cobiçosos sob diferentes matizes. O Brasil não poderá então deixar de dar uma
resposta à altura, e nada poderia ser mais eloquente do que mudar a própria
Capital do país para aquela região.
Tudo isto deverá se consolidar somente para mais de um século pela
frente, porém os primeiros passos nesta direção já serão dados nos tempos atuais. A criação de Brasília tem sido um grande sucesso, a região Centro-Oeste está se tornando rica e próspera, atraindo cada vez mais populações que
já não encontram nos litorais as respostas que necessitam. Com isto também
crescerão alguns dos problemas que no passado levaram justamente a pensar na
necessidade de transferir a Capital do litoral para os interiores. As terras do
Cerrado estão sob imensa pressão, a ponto de pouco restar já deste bioma fora
dos parques nacionais. Não apenas os solos se esgotarão como também os rios do
Centro-Oeste serão exauridos. As áreas mais férteis são realmente aquelas na
transição da Amazônia onde a umidade é mais constante, como se observa no Mato
Grosso.
E é claro que as crises também se acirrarão
ainda mais naquelas outras regiões mais populosas do litoral, em função da
explosão demográfica, da violência social e da perda de capacidade tecnológica
em função das mudanças climáticas. Tudo isso mostrará as regiões do interior e
do Norte como paraísos de paz e de esperança, com todo o seu potencial humano. Afinal, se tantas das respostas que os litorais estão buscando estão por lá -como energia, lazer, cultura, emprego, segurança, etc.-, porque razão não migrar de uma vez por todas para estes grandes interiores do país?!
Então chegará e por várias razões a hora de olhar para frente. E desta vez os olhares seguramente se voltarão para este enorme território inexplorado do país e do Continente que é a Amazônia. Afinal mais da metade do Brasil está ocupado pela Amazônia legal e o fator segurança -que sempre foi uma grande preocupação nesta enorme região-, se fará impor de forma definitiva diante das pressões internacionais.
A criação de uma nova Capital tende a ser longamente planejada e preparada, afinal representa um processo ousado e dramático de forte impacto civilizacional. Talvez seja longo o prazo de planejamento total de uma nova Capital. A primeira vez que Brasília foi nomeada foi em torno de 1820, ou seja, cerca de 150 anos antes da sua inauguração, e já vislumbrando os interiores do país. A região mais exata foi definida apenas 68 anos antes, através da Missão Cruls (portanto já dentro do atual ciclo social de 200 anos).
Ademais, pensar em termos de mais de um século em nossos tempos acelerados, realmente parece muito, porque as coisas são bastante imprevisíveis e sabemos que será prazo suficiente para termos um mundo bem diferente. Deste modo, é bastante fácil prever ondas crescentes de pressão interna e exterior sobre a Amazônia e sobre a sociedade por mudanças e atitudes, até desaguar no ato final de criação de uma nova Capital-modelo simbólica e operacional. Contudo, poderá ser necessário uma preparação adequada para formar uma mentalidade apta a fazer frente a tal desafio, e trataremos disto nos próximos segmentos.
O Brasil necessitará mostrar não apenas sabedoria como competência para
ocupar a cobiçada região, e nada poderá ser mais simbólico e efetivo do que
implantar ali a própria Capital do país. O simples fato de se anunciar esta
intenção já servirá como sinal da seriedade com que o país está tratando o
assunto. Não apenas uma Capital, mas todo um Distrito Federal será novamente
planejado, e em termos contundentes em favor do ambientalismo, com arrojadas
tecnologias em prol da sustentabilidade econômica e ambiental, buscando
promover o convívio harmonioso entre o meio ambiente pujante da região e as
necessidades humanas modernas.
Tudo isto representará um sinal positivo e eloquente das novas coisas, trazendo esperanças para o país e para a humanidade.
Um Planalto das Origens
Posto isto, será necessário começar os planejamentos. A pesquisa com a Inteligência Artificial demonstrou consenso quanto a esta futura Capital do Brasil (a surgir dentro de uns 150 anos) dever se encontrar sobre o Escudo das Guianas, o que representa uma vasta região que compreende seis países.
O Escudo das Guianas corresponde a cerca de 40% do bioma amazônico.
Trata-se de uma das áreas de floresta tropical mais preservadas e intocadas do
mundo, atuando como um gigantesco sumidouro que armazena bilhões de toneladas
de carbono, o que a torna vital para a regulação do clima global. É também uma
das maiores reservas de água doce do planeta.
O Planalto das Guianas recebe a sua umidade diretamente dos Oceanos, o
que representa uma garantia de sua vitalidade e força de regeneração. Na
verdade, nesta zona encontram-se os ventos alísios de ambos os Hemisférios,
concentrando nuvens oceânicas diretamente sobre as florestas da região. É como
uma Mata Atlântica potencializada pelo encontro das correntes úmidas de dois
Hemisférios. Estamos falando afinal não apenas do cume geográfico de um
Continente, como também do seu posicionamento sobre a zona do Equador.
Podemos inclusive dizer que esta área de planalto seja o berco da
Amazônia verde, cuja evaporação dirigida para os Andes termina por produzir
chuvas que permitem o crescimento do restante da floresta e, a partir disto,
distribuidor para o restante do Continente. Assim, escolher o Planalto das
Guianas coloca portanto a Nova Capital do Brasil no ponto zero de geração da
vida do continente. Se o restante do sul ou sudeste do país colapsar por falta
de água em 150 anos (ou pelo ano de 2160 d. C.), o Distrito Federal estará posicionado
na cabeceira da "fábrica de chuvas" da América do Sul, garantindo
resiliência biológica eterna à sede do governo.
O relevo do planalto é caracterizado por colinas onduladas, montanhas
baixas e imensos planaltos tabulares (conhecidos como tepuis). Abriga os pontos
mais altos do território brasileiro, como o Pico da Neblina, além do famoso
Monte Roraima na fronteira tríplice. Contudo, por ser uma formação de maciços
cristalinos antigos, a região concentra ricas jazidas de minerais metálicos de
alto valor econômico, como ouro, diamantes, ferro, manganês e bauxita, o que
traz naturalmente pressão sobre toda esta região.
Trata-se ademais de uma das zonas geologicamente mais antigas e
tectonicamente estáveis do mundo. Certamente o homem do futuro de um mundo em
crise acelerada, estará desejoso por vida e por conhecer as origens da vida. Nos mitos antigos os planaltos estavam
muitas vezes ligados às origens da vida, como na Colina Primordial dos egípcios
onde surgia o Deus Sol – ainda que tudo isto contenha também uma dimensão metafórica.
Ao fim e ao cabo, a intuição de autores que associaram o escudo das guianas a pré-história não está tão equivocada. Entre eles destaca-se Sir Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, e que em “O Mundo Perdido” (1912) vê no icônico Monte Roraima um cenário para a preservação de espécies pré-históricas. Temos também o “nosso” Mário de Andrade cujo herói Macunaíma, nasce na beira de um rio no Estado de Roraima. Para os indígenas da região, como os Taurepang e Macuxi, o Monte Roraima é tido como o tronco cortado da "Árvore da Vida", chamada de Wazaká. Cabe ainda citar, além dos autores locais, o nome de Alejo Carpentier, renomado romancista cubano que na obra “Os Passos Perdidos”, o protagonista viaja para a região do Orinoco e da Gran Sabana venezuelana em busca instrumentos musicais primitivos e termina realizando uma viagem de volta no tempo regressando à pré-história da humanidade. O que nos levaria a mencionar também filmes de cinema ambientados na região como o místico “O Abraço da Serpente” inspirado em relatos de cientistas estrangeiros.
Estudos geográficos para a Capital
A idade de criar uma Civilização da Amazônia não é de todo exótica ou inédita. Hoje sabemos que a Civilização Aquiry desenvolveu grandes redes de cidades no outro extremo da Amazônia, por assim dizer, produzindo uma arquitetura de terraços e avenidas algo semelhante à Civilização Cahokia dos Estados Unidos. Outrossim as zonas próximas a Manaus também seriam mais centrais na Amazônia oferecendo um cenário de segurança relativa. No entanto, num contexto de crise civilizacional, convém evitar o risco de secas prolongadas e da contaminação que pode vir com as águas das terras baixa da Amazônia.
O norte do Pará também é amplamente ocupado pelo Escudo das Guianas, como uma espécie de planalto de médias altitudes. Ali seria escolhido o melhor local para a futura Capital, nas bordas deste escudo cristalino. Toda esta região está cercada por importantes acidentes geográficos como Serras (como a de Parima e a do Tumucumaque, que é o maior parque de floresta tropical do mundo) e rios piscosos e caudalosos como o grande Amazonas e outros limpos e livres de mosquitos vindos diretamente do Escudo das Guianas (como o Negro, o Jari, o Paru e o Trombetas), além de florestas densas de altitude. No Município de Almeirim no Pará, encontra-se o Parque Estadual das Árvores Gigantes, protegendo a maior árvore do Brasil e da América Latina -um majestoso angelim-vermelho com 88,5 metros de altura.
Naturalmente esta será uma civilização basicamente fluvial (como já acontece de fato há muito na Amazônia), resgatando as boas práticas de transporte fluvial, e trazendo de volta a imagem de uma Nova Atlântida.
Dentro de um estudo preliminar alguns pontos já podem ser avistados, cada qual com suas vantagens e desvantagens. No geral os solos são pobres e lixiviados (salvo nas regiões centrais que contam com depósitos vulcânicos) e a acessibilidade e a segurança variáveis. Será preciso descobrir então o que poderá ser melhor para a futura Capital: ser uma secreta “Cidade Oculta” nos altos do Rio Paru, uma fértil “Cidade-Sentinela” na imponente Serra do Maicuru ou uma remota “Fortaleza Invisível” nas escarpas do Rio Trombetas?! Seja como for, estas regiões deverão estar intimamente integradas dentro de todas as novas dinâmicas civilizatórias.
E quanto a nomes, recebemos naturalmente das mesmas IAs dezenas de sugestões bastante pertinentes e significativas, inspiradas na mitologia indígena (como “Tupana”) ou na clássica (como “Elysia”), na toponímia (como “Parime”) ou na orografia local (como “Mesetânia”), entre outras tantas palavras inventadas e sugestivas de teor espiritual (como “Aurantis”), cósmico (como “Solária”) ou ambiental (como “Verdantis”).
Não obstante, uma localidade pode ter mais de um nome para diferentes finalidades. Muitos destes nomes também poderão ser aproveitados para batizar novas localidades da região, e até mesmo regiões inteiras, tal como tem sido proposto nomes alternativos para a própria América Latina ou do Sul a partir de tradições locais (como o cuna “Abya Yala”) ou esotérica (como o nosso “Telúria”).
Preparações para a Civilização Futura
Cada ciclo social está centralizado pela criação de uma nova Capital e ocupa 200
anos com três gerações. No presente momento começa a terceira e última geração do
ciclo atual do Centro-Oeste centralizado em Brasília, com orientação de rumar
já para as fronteiras da Região Norte e implementar uma cultura espiritualizada
de base social e nacionalista.
Trata-se de uma transição para as coisas futuras. Ainda não existem
condições para uma ocupação massiva da Amazônia, mas muito pode ser feito para
preparar uma nova cultura nesta direção. Para isto, a sociedade nacional e até
a continental deverá cercar a Amazônia por um anel formado por grandes
comunidades sustentáveis, como um verdadeiro rosário civilizacional. Isto
servirá tanto de proteção para a Amazônia como também de modelo sociocultural
sustentável, tendo como tarefa básica a proteção e a regeneração da
floresta. Cada cidade terá um máximo de doze mil pessoas, e quando chegar neste
índice ela se dividirá ao modo das tribos e das colmeias para criar uma nova cidade. Porém
tudo isto deve ser realizado com grande método e espírito de movimento,
atraindo as pessoas dos litorais para somar neste novo esforço civilizacional
de impacto nacional, continental e até mesmo planetário.
Será desta nova estrutura social que poderá surgir no seu tempo os
movimentos adequados e devidamente amadurecidos para uma ocupação sustentável
da Amazônia, através de uma transição social para uma economia sustentável.
Esta é portanto a etapa necessária para se começar a pensar numa nova etapa na
civilização brasileira e americana.
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A Comunidade EFA (Espiritual-Fraternal-Ambiental) |
A natureza desta quarta etapa social será religiosa, sacerdotal e espiritual. Nada disto é estranho para os movimentos de nova era. As pessoas que simpatizam com a cultura alternativa, deveriam saber identificar com qual modelo de sociedade os seus valores mais se aproximam. Se tivermos em conta a comunidade rural alternativa, a referência direta está na vida tribal e até nos monastérios. Então nada mais natural do que assumir estes modelos e tratar de seguir as suas diretrizes o mais objetivamente possível.
Talvez não seja ainda o momento de investir na ideia monacal
propriamente dita, que será uma essência daquela fase futura da civilização das
Américas em especial. Porém com certeza esta transição deverá ser alcançada
através de uma sociedade filosófica e aspirante da espiritualidade. Por isto as
novas comunidades deverão ser orientadas por uma nova filosofia que reúne
fraternidade, ambientalismo e espiritualidade. E tendo já no seu cerne uma
Ordem-semente da religião do futuro pautada sobre estes mesmos valores,
incluindo uma visão muito avançada e profissional da espiritualidade e um pleno
conhecimento das artes da iluminação espiritual.
Não precisamos insistir no quanto tudo isto se inspira nos modelos tribais,
porém adaptado para um movimento socialmente maior a fim de se adequar às
demandas da sociedade moderna e ser capaz de cumprir com os objetivos
necessários. E provavelmente nisto também estaria o cumprimento de uma
importante profecia - a da vinda dos agarthinos das regiões centrais (centrais não da
geologia e sim da geografia) para salvar a civilização e criar um novo modelo
de sociedade, conforme anunciam as profecias de Shambhala.
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Sobre o Autor
Luís A. W. Salvi (LAWS) é estudioso dos Mistérios Antigos há mais de 50 anos. Especialista nas Filosofias do Tempo e no Esoterismo Prático, desenvolve trabalhos também nas áreas do Perenialismo, da Psicologia Profunda, da Antropologia Esotérica, da Sociologia Holística e outros. Tem publicado já dezenas de obras pelo Editorial Agartha, além de manter o Canal Agartha wTV.






























