sexta-feira, 14 de maio de 2010

(Re)Tribalização & Civilização Real


Ao observarmos a formação das grandes civilizações antigas e clássicas, e até mesmo da própria Europa medieval, veremos que invariavelmente elas partiram de uma estrutura tribal, amiúde também imbuída por raízes sapienciais. Palavras como maia, hindu, celta, hebreu, inca e caldeu, teriam sido, antes de se tornarem designativos nacionais, nomes de grupos clânicos e escolas de sabedoria.
A Bíblia, por exemplo, chama os astrólogos de caldeus. René Guenón afirma outro tanto dos hindus. Inca eram um clã e, sobretudo, o próprio rei. Hebreu apenas era o grupo de Abrahão. E assim por diante. É sempre um pequeno grupo seleto que alcança se organizar e definir uma cultura nobre e superior, de potenciais universais, e aos poucos vai conquistando maiores espaços, inclusive através dos corações e mentes.

Ocorre também de, na Antiguidade, os conceitos de nação e religião estarem unificados –como de resto estavam toda sas coisas nas sociedades tradicionais. Não muito diferente sucede, porém, com as grandes religiões ditas universais, como budismo, cristianismo e islamismo, nascidos de escolas sapienciais e a partir de pequenos grupos sociais de adeptos de seus preceitos.
A solidez do núcleo tribal se afirma pela lógica da unidade, para quaisquer fins possíveis, dos mais materiais aos mais espirituais. A tribo e a comunidade representam aquele núcleo sólido e coeso, capaz de fazer verdadeiramente a diferença em qualquer contexto cultural. É fundamental esta unidade e a respectiva fundação territorial. De pouco adianta falar, protestar, reivindicar e até incentivar, se não se cria um ambiente propício ao convívio regular e ao incentivo comum, amplo o suficiente para suprir todas as necessidades vitais e potencializar a mudança progressiva também dos entornos.
Assim, antes que uma cultura superior ou uma civilização verdadeira pudesse se erigir, terá sido necessário uma base tribal e comunitária de três ordens possíveis:

1. Uma origem natural, por assim dizer, dada a própria antiguidade da época. Exemplo: egípcios, drávidas, sumérios;
2. Uma regeneração cultural através da seleção de grupos mediante os processos de êxodo. Exemplo: hebreus, hindus áryos;
3. A intervenção de invasores ditos bárbaros, capazes de conferir uma nova tônica à uma ordem civilizada decadente. Exemplo: toltecas, mongóis.

Apenas para constar, devemos esclarecer o conceito de “civilização verdadeira” acima afirmado; já que a definição do conceito de civilização tem sido algo polêmico nos meios acadêmicos. Trata-se de uma ordem universal onde se encontram harmonizados, interna e mutuamente, os quatro pilares da civilização, a saber: raça, classe, religião e cultura. Resultando na suprema fórmula libertária tudo para todos de toda a forma em toda parte e sempre.
Trata-se de uma definição muito ampla e genérica. E que, naturalmente, representa conquista progressiva, onde cada etapa racial coloca novas bases, até o glorioso Dia final em que Deu Será conosco, através da plena aplicação da fórmula universal.

Por Luís A. W. Salvi, filósofo e escritor

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