sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sobre a Religião da Civilização


A Doutrina da Civilização, ilumina os caminhos da humanidade na busca da superação da condição humana. Aponta para aquilo que advirá no ciclo cósmico vindouro da Terra.

Civilização não é antagônica à Natureza, mas traduz mistérios que subjazem à ordem natural, como sugerem os cânones sagrados empregados pelos seus idealizadores originais. Trata-se, pois, de um caminho de transcendência no sentido rigoroso do termo.

É por esta razão que o preceito civilizatório pode ser considerado em si uma religião, mas também uma ciência e tudo o mais, pois envolve todas as instituições e formas de expressão. Apenas não se pode confundir com a civilização da religião, que seria a teocracia e seguramente ainda uma expressão civilizatória menor, assim como uma tônica humana por excelência –sempre e quando se entende por teocracia uma clerocraria de regência sacerdotal, e não alguma espécie de regime divino, onde os próprios profetas chegam a dar mostras do poder espiritual na Terra, fundindo por alguns momentos o Governo Oculto da Terra com os Governos Manifestos dos homens.
Não se trata de a civilização poder alcançar o seu age já neste ciclo humano, mas de ir adaptando-o aos cânones superiores, como base e matéria-prima para a futura cultura da quintessência, síntese entre o natural e o sobrenatural que é, ou do imanente e do transcendente.

Sem que isto signifique nenhuma violência contra a humanidade, pelo contrário, a Hierarquia respeita o livre-arbítrio e trabalha com a paciência de uma mãe para conduzir amorosamente e de forma auto-sacrificada, o homem através dos próprios caminhos humanos de realização.
Provas disto, é que nenhum Mestre pretendeu ou se capacitou jamais a assumir o poder, pese o que possam dizer os mitos e pretender os homens nas distorções praticadas nesta direção. Afinal, a Hierarquia não é uma classe temporal ou terrena capaz de impor ou reivindicar o poder de algum modo, pois ela mal se manifesta na terra em entidades únicas como a da Unificação Vicária. A idéia de que o reino divino pudesse ser deste mundo –e a teocracia ainda não é isto, menos ainda o anarquismo naturalista–, foi negada pelo próprio Cristo, ainda que, depois do ciclo humano (ou dentro de poucos milênios), aí sim isto possa vir a acontecer.

As formas hieráticas buscadas pelas coroas ou tiaras no poder, remetem à simples representação divina ou, na verdade, hierárquica. Os mestres representam os deuses, e os homens nobres e espirituais simbolizam os mestres. É desta última modalidade representativa que se trata, pese mais uma vez todas as distorções promovidas pela cultura humana.

A missão da Humanidade em seu próprio nível, é compor-se através das Quatro Cruzes relacionadas a raça, classe, cultura e religião. Nos seguintes termos:

1. As Quatro Raças: negra, amarela, branca e vermelha;
2. As Quatro Classes: proletariado, burguesia, aristocracia e clero;
3. As Quatro Culturas: nomadismo, tribalismo, ruralismo e urbanismo;
4. As Quatro Religiões: noviciado, discipulado, iniciação e redenção.

Como se percebe, todas estas classificações são bastante genéricas, tratando mais de princípios ou níveis de realidades, que de suas especificações históricas concretas e etnizadas.

Além disto, estes princípios devem ser combinados entre si. Mas isto já seria, de certo modo, mais a missão da hierarquia, que é organizar-se na forma do Grande Pentagrama, orquestrando a estrutura humana e levando-a a uma transcendência coletiva, como se começou a vislumbrar –e nada casualmente-, a partir desta quinta raça-raiz, a árya.

A palavra “transcendência” é usada aqui no sentido hegeliano de superação ou de evolução. De outra forma, o que se buscará é uma síntese entre a imanência materialista e a transcendência espiritualista.

A etapa atual, é realmente a de compor estas bases quaternárias, para o que a Hierarquia presta a sua assistência amorosa e inteligente, a fim de converter a negação e os conflitos humanos em aceitação e harmonia, e nada mais do que isto, para um dia realmente se alcançar a síntese e a liberdade, a mobilidade e pluralidade natural no tempo-espaço.

a. A Luz das Idades

Não obstante, esta filosofia abraça o tempo na eternidade. E acata a idéia de ciclos para aprimorar a evolução mundial, sem pretender atropelar etapas, antes harmonizando o real e o ideal, colocando as bases necessárias à futura síntese universal.
A evolução social das sociedades antigas, oferece um panorama bastante nítido da transformação cultural que acompanha os sucessivos períodos da História.
O quadro é perceptível com bastante nitidez no caso da civilização grega. E, de um modo geral, seria o seguinte:

a. Idade de Ouro = EPOPÉIA
b. Idade de Prata = MITOLOGIA
c. Idade de Bronze = FILOSOFIA
d. Idade de Ferro = CIÊNCIA

Podemos dizer que este quadro contempla basicamente a síntese no alto, e a análise na base. Os intermediários seriam gradações.

De certo modo, o reducionismo materialista é um mal das idades menores. Não se trataria aqui, contudo, tanto de deplorar a Ciência nas idades maiores, mas dar-lhe um lugar mais adequado e também um enfoque algo espiritual.

O pensamento mítico, por exemplo, passaria na realidade muito mais por pós-racional do que por pré-racional, como se pretende muitas vezes, desde o ângulo das idades materialistas, por exemplo.

Podemos analisar o quadro em termos humanos, inclusive tratando o tema das “idades” dentro de uma dinâmica social. Assim:

Os melhores proletários são os libertários.
Os melhores burgueses são os humanistas.
Os melhores aristocratas são os heróis.
Os melhores clérigos são os santos.

Para quem desejar conhecer mais sobre o interessante assunto das Idades e sua dinâmica, remetemos o leitor ao texto “A Evolução Cultural da Grécia Antiga”, em nossa obra Antropologia Geral.


Da obra "Genese - Tratado de Teologia Política", Editorial Agartha

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