quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Jornada Agarthina

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A Jornada Agarthina é a busca do eu interior, através da procura pelo interior da Terra.

O buscador agarthino entende que o mundo está em crise, e que ele deve fazer algo por si e pelo próximo, a iniciar todavia por encontrar locais mais adequados para semear uma nova existência. Assim, o agarthino detém a sabedoria do semeador, que trata de livrar uma área apartada para as suas sementes, fértil e sadia, livre de matos e de pragas.

O agarthino é aquele que recebeu no âmago do seu coração, um chamamento para renovar a sua existência, percorrendo a face da Terra em busca de locais aprazíveis.
Muitas vezes eles terminam por se encontrar em centros específicos, conhecidos por concentrar alguma energia especial.

O verdadeiro agarthino intui que os locais mais adequados à sua busca interior, estão também nos interiores do país e do Continente.

Assim, o agarthino é um alternativo, alguém que aspira por outro modelo de vida, e opta pela vida interior buscando nisto o resgate da boa saúde como forma de encontrar a sã consciência.

O verdadeiro outsider compreende que, para ser consequente com as suas idéias, ele deve fazer um gesto mais amplo, do contrário ele mal passará de um excêntrico.

Naturalmente, ele não que ser considerado apenas um “desajustado”, dentro de uma sociedade deveras enferma e alienada, mas deseja que tudo o mais também se “alterne” de vez, ao menos em parte, e sobretudo que se amplie uma parte significativa da busca por uma nova consciência.

O agarthino semeia a cultura underground porque ele anda em busca das raízes das coisas.
Estas raízes são uma renovação, o apelo aos fundamentos da consciência, a volta à simplicidade e à Natureza, o anelo da fraternidade e do amor, os conhecimentos espirituais que não rejeitam mas dialogam com a fé.

Por isto, o alternativo sente-se naturalmente atraído pela idéia do Paraíso, o Éden cuja imagem está impregnada em nosso inconsciente como uma idílica região central.

Na verdade, esta idéia é curiosamente compartilhada por muitas Tradições de Sabedoria, quando falam da Agartha ou de Shambala –entre outras tantas cidades místicas que mal se sabe, afinal, se estão no céu ou na terra.

Que são afinal, as misteriosas “embocaduras” da Agartha? São pontos energéticos da Terra, gerado pela confluência de energias, e que já estão até bastante mapeados. Pois não é difícil demonstrar cientificamente, que quase todos estes lugares declarados místicos são centros magnéticos de alguma natureza.

Cabe apenas ao verdadeiro buscador dos Mistérios do Éden, superar os véus e as mistificações que afirmam ser as cidades agarthinas “inacessíveis” ou “subterrâneas”, e sim perceber que todas elas são de algum modo mediterrâneas, como demonstram as fontes tradicionais abalizadas, e sujeitas então a algumas destas Cinco Leis: Geodésica, Geográfica, Cronodésica, Hemisférica e Geopolítica.

Tal coisa representa uma hierarquia de centros, vórtices em si mesmos, mas todos eles também integrados entre si. O grande valor da busca telúrica, está na composição potencial de um Todo.

O quadro nos confere uma espécie de Quintessência, mas o Reino da Agartha está sujeita ainda a outras numerologias, tal como os 21 núcleos comumente reproduzidos nos tangkas tibetanos, e de que nos fala também Saint Yves d’Alveydre em “A Missão da Índia”. Se trata este de valor bastante comum na Cabalística mundial, dividido como 3-6-12, em alusão às três esferas da consciência e também à presença dos três grandes Centros do planeta, a saber:

3 ........ Espírito .............. Divindade ........ Shambala
6 ........ Alma ................. Hierarquia ........ Agartha
12 ...... Personalidade ..... Humanidade .... Vaikuntha

Tais esferas, centros e núcleos, se destinam a atuar de forma integrada, e é acima de tudo este fator que indica tanto a iniciação individual, quanto a evolução coletiva traduzida na forma das Idades do Mundo.

Mas por que razão Agartha é dita “inacessível” e Shambala é “invisível”? Às vezes as cidades sagradas não estão mais lá, pela mudança dos tempos, ou senão todavia não se manifestaram ainda. De outro modo, serão elas perceptíveis somente aos olhos dos iniciados, dos videntes? Se trata, afinal, tudo isto de questão de sintonia de freqüência?

Certamente tal coisa já abriria muitas chaves dos Mistérios Agarthinos, ou dos mistérios da Iniciação, pois se trata afinal de energia sutis; e estes centros recebem sempre alguma proteção especial, à parte serem algo remotos no seu alcance.

A idéia da Senha oculta que abre as cavernas dos tesouros, divulgadas nas fábulas orientais -e que representa também as chaves do coração espiritual e da iluminação-, pode velar grandes verdades acerca destes Reinos interiores. Nisto jaz um dos grandes segredos da Iniciação, velado pelo acróstico alquímico VITRIOLO, que significa: “Visita o interior da terra e encontrarás a pedra oculta”.

Afinal, o país de Agartha é governado pelos sábios, através do regime da Sinarquia plenamente representativa da sociedade. Seguramente os iniciados abrem os seus caminhos para Shambala, percorrendo as sendas da luz.

Agartha vela, portanto, pelos caminhos do futuro, quando a humanidade entender que deve repensar a sua existência, para nela incluir a presença viva de Deus, não como uma idéia ou verdade interior segmentada, mas como uma realidade paralela e, não obstante, real e contínua. Ou seja, Agartha representa o convívio leal & real entre a Humanidade e a Divindade, através da Hierarquia de Luz manifestada.

Para chegar a isto, os buscadores do Paraíso se voltam para as regiões interiores, e seria bom que cada vez mais gente-de-bem fizesse isto. Por isto, alguns seres mais inspirados se tornam condutores de pessoas para as novas regiões, visando encontrar locais onde seja possível recomeçar todas as coisas, quiçá selecionando aquilo que existe de bom no velho mundo, para acrescentar tudo de bom que se deseja fazer em favor do novo mundo.

Esta é a verdadeira organização dos agarthinos, onde a “terra oca” representa de fato apenas o abandono e o vazio das vastas regiões interiores, que esperam ser preenchidas por gente nova e consciente dos Mistérios da Terra e de seus próprios corações, como uma terra guardada para uma nova semeadura da paz e do bem comum. A Geosofia é a Ciência dos Filhos do Paraíso, que vêem a Terra não apenas como coisa viva, mas também muito sábia. É o complemento perfeito da Astrosofia, a Sabedoria dos Astros ou dos ciclos; tal como ensinam os antigos mitos do matrimônio original entre Gaia e Urano, como o primeiro casal a existir.

A “vinda dos agarthinos” está profetizada para acontecer, quando a humanidade entrar na grande crise que virá, a fim de orientar as sociedades perdidas acerca dos verdadeiros rumos da Civilização.
Antes disto, porém, será preciso consolidar a “ida” dos agarthinos para estes novos pólos, povoando locais remotos que serão o futuro do país e do mundo, porque permitirão semear as Altas Ciências do espírito que aguardam a sua hora para serem reveladas. O mundo futuro seguramente necessitará demais de tudo isto.

Uma das formas como isto se dará, será pelo esgotamento do sistema, na busca por qualidade de vida e oportunidades de emprego, e até pelo temor das transformações ambientais cada vez mais evidentes. Também tem auxiliado muito a criação de novas cidades nos interiores, especialmente de Brasília, que tem agilizado vários centros potenciais, através do centro múltiplo que ela mesma representa.

De modo que, ao fim e ao cabo, são muitos os motivos para esta procura interior, conduzindo um povo plural para as novas regiões, que busca nisto as suas esperanças, oportunizando a criação de toda uma nova sociedade.

A História é fértil em registros desta natureza, de idas e de vindas coletivas, de “diálogos” entre barbárie e civilização -quando na verdade muitas vezes estes conceitos chegam a se inverter deveras, tal a decadência que as civilizações alcançam no ocaso dos seus ciclos vitais.

Muitas grandes culturas nasceram e sociedades ressurgiram sob o impacto de povos vindos de regiões remotas, em busca de melhores condições de vida, mas também trazendo novos potenciais espirituais, resultando tudo num vigoroso renascimento cultural.

Obviamente, são muitas as formas como se pode dar esta interação, podendo ser também perfeita e inteiramente pacífica, porém sob a condição do povo da Agartha estar suficientemente organizado e apto a se defender e a proteger as suas terras, o seu sagrado paraíso, local onde Deus dialoga diretamente com os homens, daí ser chamado também de pólo espiritual do mundo.

Este intercâmbio fecundo nasce muitas vezes, portanto, do acoplamento de culturas, proporcionando maior legitimidade à diversidade cultural vigente, posto que as classes alcançam se caracterizar melhor, com a sua necessária parcela de independência espiritual.

Assim, muitas vezes o nascimento das verdadeiras Civilizações, se dará através de um batismo-de-fogo e um choque cultural, capaz de renovar as coisas e reunir elementos opostos, resultando numa síntese deveras fecunda, e revelando assim a verdadeira face universal da Agartha Eterna.

As sociedades devem então seguir o seu curso, ciclicamente segmentando e unindo (como no solve et coagula da alquimia), tal como os músicos de uma orquestra tem o seu estudo e a sua formação individual, e uma vez que eles estão prontos podem se integrar para compor uma sinfonia majestática que arrebata a multidões. Porque será que o povo sente-se intimamente identificado com as orquestras, apesar de ter tão pouco acesso a elas? É que ele vê ali um símbolo da unidade e da evolução, o esforço de superação e transcendência que ultrapassa o valor individual e sugere sopros do divino.

É isto que faz, afinal, a unidade perfeita de Shambala-Agartha, que é o Céu-na-Terra (como é a iluminação) e a Terra-no-Céu (como são as almas-gêmeas), tais como os Ying e Yang centrais do Tao, duas verdades de resto perfeitamente científicas, mas que demandam ser vividas e experienciadas por cada um. Estas são, portanto, as sublimes promessas outorgadas aos peregrinos da luz, ao desbravador das fronteiras da verdade.

Naturalmente, a condição disto ser realmente possível, não é apenas pela soma dos talentos individuais, porque isto não proporcionaria ainda a necessária integração, mas somente o atropelamento e a confusão; e sim porque existe uma coordenação dos ritmos efetuada por um maestro expert. A composição da orquestra não oculta a virtude individual, pois cada um terá a oportunidade de demonstrar os seus dons especiais na hora certa, à parte atuar dentro de um todo também virtuoso, afinal sempre há momentos grandiosos na vida que a isto se destinam. Equilíbrio: esta é a grande chave da vida, velada pelos Mistérios da Agartha, sempre conhecida pelas idéias de centro, da integração e da harmonia.

A semente do Graal

A Jornada agarthina está muito relacionada com a busca solitária do Graal, o encontro do equilíbrio da Senda do Meio, que é um apelo do coração, e passa também pelo caminho do Centro das terras.

O paradigma do outsider iluminado, são as idas de Jesus para o deserto ou ao Egito místico, só ou com a sua família, êmulo dos êxodos de Noé, Abrahão e Moisés, como opção para as vias violentas da mudança do mundo –de resto impossíveis, utópicas ou frustrantes por si só. O caminho do alternativo amoroso, é a promessa da semente de uma grande renovação universal, através de uma profunda mudança interior, capaz de calar fundo na alma da humanidade, porque inclui a todos afinal de contas, quando começa a revelar a que realmente ela veio.




Os interiores são os famosos “desertos” aos quais acorrem os profetas, em busca da paz interior e da Palavra de Deus, e que são acima de tudo desertos humanos, locais ermos e pouco habitados, em contraste com a acachapante sociedade de massas, desumana e sem rumo. Ali os videntes recebem a visão de Deus e concebem a idéia da Terra da Promessa, quando descobrem ser necessário “um novo lugar para um novo tempo”.

O centro das terras são muitas vezes ermidões humanas, locais novos a serem povoados por uma nova consciência, distintas da cultura superficial das massas e do mercantilismo dominante, favoráveis à rehumanização do homem porque trazem os signos da renovação profunda. Locais onde Deus se faz ouvir porque o homem está em busca de si mesmo, da sua verdade interior, do sentido seu viver.

Pode haver algo mais importante do que indagar pelo sentido da vida? Seguramente que não, e no entanto muita pouca gente o faz, preferindo viver no automático, ou sendo ferreamente destinada à programação coletiva, que muitas vezes mal deixa tempo para refletir.

Conhecer o verdadeiro sentido da vida é a coisa mais rara e importante que pode existir. Até porque não basta uma vaga aspiração pela luz, é preciso saber para que rumo tomar depois que se começou a caminhar.

É preciso ser um pouco filósofo para questionar, e é por esta razão que os filósofos necessitam começar a organizar a vida das pessoas, para que eles tenham alguma chance de pensar. Uma sociedade materialista é um caos galopante que enceguece, e os filósofos são aqueles que deram as costas para o massacre da alma, que recusaram determinantemente a obnubilação da consciência. Por isto Deus os abençoa com a sua presença e com sua revelação, os conforta no amor e os consola na paz. Mas também pede muitas vezes que, após assim fortalecidos, se tornem mensageiros e retornem ao seio das massas.

É apenas por isto que as profecias afirmam que o Messias não será encontrado no deserto, o que não significa, todavia, que ele não levará as pessoas escolhidas para lá, a fim de proteger e de preservar a semente da nova Aliança de Deus, de outra forma ela poderia ser destruída por dentro e por fora pelo conjunto das forças corrompidas do passado.

A revelação do amor e da sabedoria que foram o cristianismo e o budismo, tiveram este apelo se fecundar as massas com o levedo puro da revelação e da Verdade, muitas vezes sofrendo o ônus da perseguição e do martírio, coisa que jamais pesa na ama di verdadeiro servidor da luz, que não vê morte mais gloriosa e com sentido do que morrer pela mão dos inimigos de Deus. Por isto muito escolheram fechar a sua hora se dirigindo para uma missão arriscada, a fim de morrer em paz com as suas almas e com Deus. Esta tem sido também a sina das sociedades de guerreiros autênticos, que iluminaram as páginas da História, sobretudo na defesa da lei de Deus.

Contudo, estas mesmas revelações divinas, emanadas por avatares escolhidos, também deram lugar à cultura da sabedoria em centros de meditação e de fraternidade, por isto os mosteiros se espalharam após as revelações, como locais escolhidos para fazer crescer as sementes da Verdade de Deus.


Da obra "Os Centros Espirituais Brasileiros", LAWS

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