sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Usurpação do Estado: a mentalidade liberal/materialista não representa uma “Política” real – os avanços futuros



A palavra “política” envolve a um só tempo “muitos” (poli) e cidade” (polis). Assim, política é a arte de administrar-para-muitos e também administrar-a-cidade, a qual no conceito antigo podia envolver a Cidade-Estado, coisa que hoje vemos como Nação.
Jaz implícito nisto, pois, administrar a diversidade sócio-cultural urbana, porém devidamente agregada às suas periferias. De fato, sabe-se hoje que a ideia antiga de cidade não se limitava à área urbana, envolvendo antes uma unidade centro-periferia perfeitamente integrada.
Ocorre que a dupla ideia povo-cidade, acha-se bastante interligada historicamente. Antes das cidades, aquilo que se tinha em termos de “assentamentos humanos” eram as tribos e as aldeias, quiçá as vilas também, sempre demograficamente reduzidas.



A concentração humana nas cidades deveu-se ao aumento populacional e a certas modalidades de economia, como são a agropecupária ostensiva e os modelos-de-exportação em latifundios. Ao lado disto, existe o papel “administrativo” ou palaciano original, ademais de centralizar certa cultura cosmopolita.
Contudo, as coisas têm um propósito ou uma função, que para funcionar deve ser bem administradas. Caso contrário, elas deixam de ser na prática aquilo pelo qual foram criadas, podendo manifestar apenas sombras do que deveriam ser.
Quando a “cidade” deixa de ser bem administrada, tampouco teremos um exercício político sadio e verdadeiro. Esta é a situação do ciclo histórico de transição em que vivemos, quando a política e a cidade se acham em crise.
O que significa, então, administrar bem a “cidade” –ou o Estado? Basicamente, seria prover qualidade-de-vida para todos, e promover a cultura e a liberdade. É preciso manifestar a intenção de promover o Bem Comum, ao contrário de manipular a sociedade em favor dos interesses de alguns poucos.

Ora, o gigantismo sempre foi inimigo do verdadeiro humanismo e da própria sustentabilidade, razão pela qual as sociedades tribais se mantinham em pequenos grupos. Todo gigantismo físico atua contra a individualismo e pela coisificação/massificação, algo tanto mais grave pelo fato do ser humano poder manifestar uma individualidade marcante.
O Estado sempre representa um desafio face a sua dimensão, razão pela qual se destinou à uma política especializada de forte peso cultural, que por definição passa por elites natas. O conceito de Estado integra um certo nível-de-consciência universalista com tendências intersociais e até suprasociais, associado à nobreza ou à aristocracia tradicional. Os guerreiros trabalham com a disciplina, e quando se voltam para a Natureza e para a espiritualidade desenvolvem dons da Alma.


Porém, quando o Estado cai nas mãos de ideologias liberais ou materialistas, ocorrem inevitavelmente tragédias sucessivas, podendo conduzir até mesmo a hecatombes planetárias...
A Filosofia Perene define estas duas formas como Estado Solar e Estado Lunar, e ambos podem ser simbolizados pela suástica. O Estado Solar possui o movimento centrífugo da suástica destrógira que irradia energias ao modo de sintropia, e o Estado Lunar possui o movimento centrípeto da suástica sinistrógira que concentra energias ao modo de entropiaTambém se pode falar de pirâmide e anti-pirâmide, evocando a forma do octaedro, uma vez que a suástica e a pirâmide são símbolos muito relacionados.


No momento em que se reconhecia que as classes dirigentes atuavam em ordens, sujeitavam-se a disciplinas e eram discípulas de forças superiores, tudo mudava de figura e a confiabilidade era tácita e creditada. Já nas repúblicas, se oferece o mito da “liberdade” –o liberalismo “nem lei, nem dei, nem rei” onde tudo é permitido-, que para as massas é porém mais um mito.
Ao apoderar-se do Estado, as elites liberais ainda mantém alguns ideais nobres, porém cada vez mais o poder cai nas mãos da anarquia e da corrupção, dando margem também para o materialismo.
Isto tudo leva a confundir Política com Administração, ou Governo com Estado, sem sombra de Projeto-de-nação. Para a burguesia, o Governo se torna um negócio ou uma forma de proteger os seus negócios. E para o proletariado, o Governo é uma forma de participar ou até de se apropriar dos negócios que são iniciativas da burguesia.
Nada disto atende aos verdadeiros propósitos do Estado, que almeja harmonizar ideologias e transcender as classes fixas. Portanto, tal coisa poderia ser chamada de uma “usurpação” de direitos adquiridos, ainda que uma administração corrupta e hereditária sempre dê margens às revoluções oportunistas.
No segmento a seguir, buscaremos trazer respostas para a crise de representação notada no presente final de ciclo sociocultural, após analisar a formação das estruturas culturais.

Um panorama da evolução cultural humana

As estruturas culturais humanas –com suas respectivas modalidades econômicas- derivam do amadurecimento e da organização antropológica das classes sociais, representando daí igualmente primados de Sociologia.
Podemos levantar então as seguintes correlações primárias entre classes sociais (ou ideologias-de-base) e as instituições humanas –sempre considerando, é claro, o caráter naturalmente cumulativo, complexo e misto destas estruturas:

  instituição       sociedade      modus vivendi               economia

a. Educação      proletariado     nomadismo          caça/coleta/escambo
b. Família         burguesia         sedentarismo       agropecuária/comércio
c. Estado          aristocracia      civilização            moeda/indústria
d. Religião        clero                planetarismo        recursos/mutualismo

Assim, o ser humano começou a organizar socialmente o seu trabalho através do conhecimento (ciclos e ritmos naturais, etc.). A organização da família como núcleo social estável, está naturalmente vinculada à cultura sedentária e à classe comerciante. O Estado, por sua vez, emergiu paralelamente com a organização das cidades e da classe guerreira. E a religião acha-se diretamente vinculada à racionalização dos recursos planetários.
Cada uma desta etapas culturais emerge a cada cinco mil anos, aproximadamente, como se observa mais notoriamente pela organização da agropecuária faz uns dez mil anos e pela organização da civilização há uns cinco mil anos.


Isto significa que nos achamos na iminência da chegada de um novo modelo antropológico ou sócio-cultural, e que os modelos anteriores também se encontram altamente deteriorados. Porém, quando ocorre uma inovação, também acontece a restauração parcial de todo o anterior para fins de infraestruturação do novo. Em contrapartida, no final de um ciclo, todas as classes sociais também buscam a sua experiência de administrar aquela instituição central, a fim de avançar e evoluir culturalmente.
A nova etapa cultural será religiosa, mas então se pergunta: “-Ora, que novidade existe afinal na religião?!” Ocorre que a religião esteve até agora nas mãos de uns poucos e tem sido uma instituição parcial e incompleta em função do subdesenvolvimento espiritual humano, que impedia não apenas a realização espiritual completa, como também a sua disseminação qualitativa, por assim dizer
Apenas agora, com a chegada da sexta raça-raiz, o chakra do coração se torna realmente acessível para o conjunto da humanidade, permitindo a consumação evolutiva do reino humano.
Para realizar de fato a religião plena, é preciso compor todas as estruturas socioculturais anteriores satisfatoriamente. Este fato é mais conhecido ao nível da iniciação, pela qual o ser humano alcança estados-de-consciência mais avançados trabalhando com os "Quatro Elementos" em ambientes específicos.
Contudo, esta dinâmica que integra espiritualidade com evolução social, cabe melhor às novas sociedades em construção, uma vez que as culturas antigas tendem mesmo ao materialismo.  Afinal, para o europeu e até para o asiático, pode soar chocante dizer que devem regressar à sua Idade Média... já não é assim com as sociedades emergentes, cuja situação ainda é pré-medieval, isto é: colonial ou neo-colonial. Neste caso, os autênticos Nacionalistas (ambientalistas, socialistas nativos, culturalistas, etc.) representam o universo da proto-aristocracia, semente da Nobreza futura.
Não obstante, a ideia saudosista da “restauração” pouco sucesso haveria de ter em nossos dias, senão atrelada ao avanço cultural humano. Neste caso, devemos atentar para os modelos culturais necessários para viabilizar a nova cultura social. 

Certamente isto terá relação com aspectos mais psíquicos do que intelectuais, porém não cabe imaginar um regresso às tribos, e sim uma reforma profunda da própria Civilização.
O caminho seria dar às cidades uma função sensível, devidamente embelezadas e adequadamente integradas ao meio ambiente, assim como mantidas sob proporções consideravelmente reduzidas para preservar a sua estatura humana. Estas novas cidades serão então laboratórios para experimentos espirituais profundos e também sociais e conjugais avançados, onde se buscará uma perfeita harmonia entre a individualidade e a coletividade.
Será esta, portanto, uma sociedade de perfil expressamente sacerdotal, voltada para as coisas da Alma, sobretudo, mas cuidando de todas as etapas culturais através das suas estruturas sociais, naturais-vocacionais e sempre abertas à evolução, as quais podem ou devem ser experimentadas passo-a-passo por cada pessoa, na construção de uma consciência humana integral e perfeita. E isto descreve, em linhas gerais, o varnashramadharma ou a “lei das classes cíclicas”, do Brahmanismo original.


Ver  mais:
Classes Sociais & Estados-de-consciência: correlações originais


* Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
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