sexta-feira, 14 de maio de 2010

O Mistério da Fênix Retornada *


Eis que o enigma da Fênix está mais vivo do que nunca em nossos dias. Conhecei-o, prezado leitor? Saiba, pois, que a Ave-Fênix está neste momento de volta ao Templo do Sol, para se incinerar e depois renascer de suas próprias cinzas. É o que se deduz do formoso mito narrado por Heródoto, chamado “o pai da História”, há tantos séculos e milênios passados. Este mito trata, acima de tudo, da renovação das sociedades e das civilizações, através de seus ciclos de transformação decorrentes a cada 500 e 1.500 anos de história, este último, relacionado ao ciclo sótico, através do mito secundário dos três ovos que deixa a Fênix. Assim, ao mesmo contexto misteriosófico e geográfico original da Esfinge e das pirâmides, pertence este famoso mito egípcio, relacionada ao Templo de Heliópolis, no paralelo 30 egípcio.
Em Brasil: O Livro do Tempo, apresentamos algumas elucidações necessários ao famoso enigma da Esfinge, para além das falsas respostas transmitidas pelas lendas, e incluindo já uma certa renovação. Agora, o enigma que propomos, já totalmente adaptado às questões da Nova Era, envolve elementos desta natureza, não sendo talvez o maior dos seus mistérios, mas seguramente muito importante no seu atual momento de formação. Ei-lo:
“PARA ONDE APONTA A FÊNIX POUSADA NO NARIZ DA VELHA?”
Algumas dicas já foram dadas, ao insinuar envolver questões histórico-geográficas, nacionais, Nova Era, etc. Enfatizamos que a resolução deste enigma, é de fundamental importância para a consecução das metas nacionais e da Nova Era –duas realidades seguramente associadas. A resposta pode tentar responder também: porque o pássaro aponta para esta direção; porque se trata de uma fênix (ou porque ele retorna agora); e ainda qual a natureza de sua relação original com a velha. Sua compreensão poderá servir para medir a sintonia das pessoas com as coisas da Nova Era. Eis a solução.
O Pássaro da nova profecia aponta para algo que vem sendo já há algum tempo divulgado. Envolve a importância do Centro-Oeste para a Nova Era, inicialmente no Brasil e depois no mundo. Para todos aqueles que residem na região de Brasília, a resolução do enigma teria sido seguramente muito fácil. Talvez muitos sequer saibam que o plano-piloto de Brasília possui a exata forma de um avião ou, como querem alguns, de um pássaro.
As monarquias européias costumavam adotar por símbolo a nau. Talvez os tempos modernos requeiram também nisto uma adaptação, onde o avião seria talvez o símbolo ideal, daquilo que representaria a forma mais dinâmica de condução.
De outra forma, ainda que, na Europa, a Fênix fosse representada como um pássaro inteiramente mitológico, no Egito antigo ele estava representado por uma íbis nilótica. Ocorre que a forte mística planaltina, fala sabiamente que a ave-Brasília se trata de uma íbis. No Brasil, temos um belo exemplo de íbis vermelho, através do pássaro Guará (raiz de guarani?), ainda muito abundante na costa norte do país.
O vermelho sinalizaria, por exemplo, a riqueza mineral do Centro-Oeste, gerando formações energéticas visíveis e tingindo as águas da Chapada dos Veadeiros ou do Alto Paraíso com cores ferruginosas, além de se associar à energia marcial da estirpe dos idealistas, própria da nova etapa sócio-cultural da civilização brasileira e, por extensão, de todo o Novo Mundo e até do planeta.
Porque este novo processo cultural, envolve a formação de uma sólida classe de idealistas e nacionalistas, ou de aristocratas espirituais, a qual estará associada à Região Centro-Oeste, tal como a classe da burguesia nacional teve a sua formação centralizada no Sudeste, e antes disto o proletariado se formou no Nordeste nos tempos da colônia.
Porque, já numa outra dimensão, o enigma da Fênix adquire uma natureza mais especificamente cronológica. Como se sabe pelos relatos de Heródoto, o mito egípcio da Fênix está relacionado aos ciclos de 500 anos, quando acontece uma profunda transformação da civilização. É portanto, aquilo que acontece hoje nos rumos do Novo Mundo.
Eis que a Fênix foi conflagrada pelo fogo da Guerra Fria –porque nem tão fria, afinal, entre nós–, presente entre nós através da Ditadura Militar que se apossou da Capital Federal e do Estado, e agora o país requer a sua ressurreição.
Por sua natureza cronológica, a Fênix é também um signo da Monarquia, e nisto cabe inclusive a sua acepção de retorno, relacionando a monarquia colonial de base e a nova nacionalista de fato, advinda um ciclo-Fênix após. Assim, a imagem da Fênix atua também, neste caso, mediante o processo de restauração da monarquia eterna, imagem ideal do Estado perfeito. Não tanto da antiga realeza ou sua descendência, mas de uma nova ordem que já não deverá ser hereditária –a um modo mais “republicano”, portanto–, e suscitada sobre a afirmação das novas coisas nacionais.
Assim, voltar-se ou se dirigir para o Centro-Oeste é, acima de tudo, um ato de civismo, questão que em termos de Brasil pode ser sinônimo de Nova Era. Este é, afinal, um país eclético e ecumênico, sinalizando os caminhos do futuro mundial. A medida é definitivamente importante, porque a Capital Federal está como que isolada ainda, sendo tal coisa fatal para qualquer regime político, país ou nação. Pelo contrário, uma verdadeira Capital deve ser um rico e efervescente núcleo cultural, quando Brasília é ainda todo o oposto disto, lugar para o qual muitos buscam voltar as costas.
Porém, este novo patriotismo pouco tem a ver com aqueles antigos conceitos de nacionalidade, antes com espiritualidade. Porque é chegada a hora de se recompor as instituições universalistas, uma vez que está esgotada a estrutura materialista do país e até do mundo, tendo como resultado a informalidade a exclusão social, a violência e a poluição.
Que possamos nós, os sobreviventes desta época má, apontar agora caminhos alternativos para todos, depois de ter sido levados a eles de forma tão inelutável. A verdade é que, ser nacionalista em um país como o Brasil, pode chegar a ser algo realmente maravilhoso, para além de todo o ufanismo possível. Ainda que, na prática, isto ainda requeira muita luta, para se vir a tornar o Brasil naquilo tudo que deve chegar a ser. Não apenas pela necessidade de dispor estruturas econômicas e culturais, como também para libertar ou atenuar a pressão dos interesses internacionais sobre a nação e o país. Um civismo que não seja nacionalmente libertador e socialmente progressista, não deixará de ser mero ufanismo.

No exílio, o profeta Daniel recebeu instruções acerca dos ciclos-Fênix, reconhecidas na antiga tradição astrológica suméria-babilônica, compreendo assim que o Templo haveria de ser restaurado após 500 anos (ou a sua “sete semanas de anos”). Por alguma razão, o mito narrado por Heródoto, situa a residência da Fênix no deserto ou nas Arábias. Conteria isto uma alusão à missão dos povos nômades e tribais, enquanto renovadores das civilizações? É, ao menos, aquilo que tem acontecido muitas vezes, sentindo-se os aristocráticos guerreiros das estepes, como verdadeiros moralizadores da cultura e saneadores da decadência burguesa, como teriam sido os mongóis na Ásia e os toltecas no México, havendo também na América do Sul culturas afins.
Quando Getúlio Vargas tomou à força o poder central, após ser impedido por uma eleição fraudulenta, estava apenas fazendo valer a vontade popular, como de resto ficou comprovado através de seu retorno democrático e seus atos no governo (seu trágico final foi coerente com todo o resto). Mais tarde, se tentou fazer o mesmo com o varguista João Goulart, o que seria no entanto impedido por seu cunhado e co-religionário Leonel Brizola, alcançando assim mobilizar o país e impedir um Golpe Militar. Este mesmo, teve que contornar uma eleição fraudulenta na esfera estadual, após seu retorno ao país do exílio, onde se tentava mais uma vez afastar o varguismo do poder.
Por aí se vê as dificuldades que encontram os verdadeiros nacionalistas nestes país, para chegar ao poder ou nele se manter pelas vias institucionais e realizar a vontade popular. No mais, como conseguir a enorme soma de recursos, necessárias a uma campanha eleitoral num país como este, sobretudo quando se tende à uma oposição (e para isto basta ser nacionalista)? Mesmo aqueles que estão mais estruturados, e afeitos aos mecanismos do sistema, não raro se entregam a práticas ilícitas, tendo em vista a obtenção destes meios. A democracia, baseada num ciclo pré-determinado de governo, em função da falibilidade dos políticos, é um processo que costuma sair caro ao país, e ainda, muitas vezes, sem os efeitos desejados pelo maioria. Seguramente, alguma coisa deve mudar, nem que seja a fidelidade dos políticos.
É um fato que, como sempre se pode argüir, a democracia reflete a capacidade social de organização, necessária também para a sustentação de um regime. Daí a máxima política segundo a qual, “cada povo tem o governo que merece”. Este é, seguramente, um argumento que deve ser respeitado. Por esta razão, é que trabalhamos tão profundamente com o tempo, nos preocupamos com as ações de resultados e a disposição de bases. Nisto, por outro lado, também é verdade que se trata de um processo mundial. Eis que o quadro ficou complicado após a queda do regime soviético, restando tão somente como forças históricas alternativas, o Islã e as grandes nações da Ásia, além de uma oposição generalizada, porém dispersa, e que deve neste momento dramático se reunir e compor bases mais sólidas de vida e cultura alternativa.

Assim, outra variante do enigma poderia ser: “Porquê é preciso socorrer a Fênix solitária, pousada no nariz da velha?” Aliás, o plano-piloto de Brasília, dentro dos contornos do DF, encimando a protuberância dos limites Oeste de Minas Gerais, também assemelha-se a um pássaro enjaulado sobre o nariz de uma velha.
É preciso, em definitivo, mudar os rumos da civilização brasileira para o seu interior, até para harmonizar as coisas, já que o desequilíbrio demográfico também é fatal para toda a governabilidade prática. Trata-se, na realidade, de um antigo projeto de seguimento de excedentes populacionais litorâneos para o interior do país, e do qual todavia, talvez oportunisticamente, apenas se fez a primeira parte, que é a mudança da Capital Federal a fim de proteger a corte. Pelo contrário, desde então não apenas nada se fez nesta direção, como ainda se agravou continuamente a problemática do êxodo rural, chegando a se inverter completamente a correlação demográfica campo-cidade, e resultando no grave quadro de desequilibrio que temos na atualidade.
Basta de superficialismo e litoraneidade, pois se as antigas palavras-de-ordem foram produção & consumo, as novas serão idealismo & espiritualidade, encontrada na interiorização geográfica e cultural. É preciso emprestar um novo sentido à frase ORDEM E PROGRESSO, de ordem mais nacionalista e espiritual.
Com isto, trataremos de matar dois ou até três coelhos com uma só tacada, conduzindo setores excedentes da sociedade litorânea para regiões por demais vazias no interior, e ainda gerando uma nova etapa idealista da sociedade nacional. Até porque, entre estes “excluídos”, se deveria considerar a classe dos idealistas e dos esotéricos, que numa sociedade burguesa jamais encontrarão a sua melhor vocação ou a sua mais legítima expressão. E com tudo isto, seguramente, já iremos ver os contornos da Nova Era surgir.
Por sua vez, se o Rio de Janeiro foi, um dia, o grande símbolo, a “Cidade-maravilhosa” em todos os sentidos, isto já não acontece tanto em nossos dias, quando a antiga Capital Federal entrou em um ciclo de decadência, como sinalizam os seus tristes índices de poluição e insegurança.
E o que deve ficar claro para todos, é que os dois problemas podem ser resolvidos ao mesmo tempo, porque um vem a ser a solução do outro, ou seja, pelo translado de populações litorâneas excedentes para o interior semi-vazio.
Podemos dizer, assim, que o Centro-Oeste é o habitat da Fênix nacional. Existe também uma versão que associa a Fênix a um cisne, e isto se deve ao fato deste simbolismo se aplicar ao terceiro grau, chamado Hamsa no Oriente, relativo à iniciação. Ao passo que a Fênix em si, teria antes uma direta relação com o quarto grau, Arhat, relacionado à crucificação espirititual e à iluminação.
Eis que o pássaro-Brasília também aponta para a Amazônia, que será o palco da etapa ulterior da civilização nacional, quando a sociedade nacional vier a desenvolver uma autêntica classe de espiritualistas, voltados para os mistérios da Natureza, os ecósticos ou eco-místicos.
No mais, todo o mistério está em saber, a quem pertence a Velha, se ao litoral ou ao interior, se é central ou fronteiriça. Pois, ainda que integrada ao Sudeste “litorâneo”, Minas Gerais e Goiás foram, por muito tempo, os únicos estados completamente interiores do país, sem litoral e nem fronteiras internacionais, coisa que hoje dividem com Tocantins e Mato Grosso. Deste modo, Minas representa já uma positiva transição para o interior do Brasil, tendo sido original dali, o executivo responsável pela criação de Brasília, JK.
Eis que um mundo novo se abre sobre a luz clara dos horizontes, no ar leve e rarefeito do planalto, sob a proximidade das nuvens e das estrelas, deixando florescer a alma sob a energia alturas que ressoa a paz e esperança. O futuro aguarda por vós, ó viajantes do novo mundo, os novos e ousados buscadores da terra-sem-males!

* Da obra Profetismo & Estratégia Social, de Luís A. W. Salvi

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